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Funcionários do Facebook revelam que empresa criou app de reconhecimento facial

Rafael Rodrigues da Silva

Uma fonte anônima dentro do Facebook revelou para o site Business Insider uma informação assustadora: a de que a empresa chegou a criar um aplicativo que conseguia reconhecer qualquer pessoa apenas apontando a câmera de um smartphone para o rosto dela.

De acordo com essa fonte, o aplicativo foi desenvolvido entre os anos de 2015 e 2016, e utilizava as informações pessoais publicadas na rede social (como fotos e vídeos) para reconhecer quem era aquela pessoa em questão de segundos.

O aplicativo foi exibido pela primeira vez em uma apresentação interna para todos os funcionários da empresa em 2015, e foi vendido como o “futuro” que as tecnologias de coleta e análise de informações do Facebook poderia proporcionar.

Uma segunda fonte ainda revelou que, em 2016, uma versão beta deste aplicativo foi disponibilizado para todos os funcionários da empresa, que podiam baixar o aplicativo em seus smartphones e utilizá-lo para reconhecer qualquer pessoa que possuísse um perfil no Facebook, independente de ela trabalhar ou não para a empresa. Pouco tempo depois, a rede social restringiu a função para que apenas funcionários da empresa e os amigos dessas pessoas fossem reconhecidos, mas ainda continuava permitindo a identificação de outros que não trabalhavam na companhia - desde que elas fossem amigas de alguém que trabalhasse - sem que essas pessoas tivessem qualquer conhecimento da existência deste software.

Segundo aqueles que utilizaram o app, ele ainda estava claramente nos estágios iniciais de desenvolvimento, e possuía apenas uma interface de câmera bem básica que, quando apontado para o rosto de alguém conseguia identificar quem era aquela pessoa em um período entre três e cinco segundos, mostrando o nome da pessoa e a foto do perfil dela no Facebook.

Saber que o Facebook possui uma tecnologia de reconhecimento facial não é nenhuma novidade, já que há anos a rede social consegue reconhecer as pessoas que fazem parte de uma foto e marcá-las automaticamente nela. Mas essa tecnologia sempre foi utilizada apenas para o reconhecimento de pessoas em imagens dentro da rede social. Até então, não havia o conhecimento público de que a empresa estava testando o uso desta tecnologia em aplicações para o mundo real.

A existência deste app, mais uma vez, destaca uma das piores características do Facebook: a de uma empresa que se importa apenas com a inovação técnica e não mostra nenhum preocupação com as implicações éticas e morais dessa inovação e, mais uma vez, levanta questões sobre qual é a real preocupação da plataforma para com os dados de seus usuários.

Procurado para dar o seu lado sobre o assunto, o Facebook confirmou a existência do aplicativo, mas negou que em algum momento ele pudesse ter sido usado para identificar qualquer pessoa, afirmando que o programa permitia apenas a identificação de funcionários da empresa e de amigos desses funcionários que haviam habilitado em suas contas a possibilidade de reconhecimento facial. A empresa ainda confirmou que sempre está criando aplicativos de uso interno como forma de testar e aprender mais sobre novas tecnologias.

Fonte: Canaltech

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