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Funcionárias acusam ex-subsecretário da prefeitura de assédio: 'Dá em cima de todas'

Diego Amorim
·3 minutos de leitura
Roberto de Paula foi exonerado do cargo nesta quarta-feira

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Roberto de Paula foi exonerado do cargo nesta quarta-feira

RIO — O ex-subsecretário de Bem Estar Animal do Rio, Roberto de Paula, é acusado de assédio sexual por três funcionárias da subpasta. As vítimas registraram ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), na Lapa, onde relataram uma série de atitudes do subsecretário entre dezembro de 2018 e abril de 2020. A informação foi antecipada pelo jornalista Guilherme Amado, na coluna da revista Época. De Paula assumiu o cargo comissionado em agosto de 2018 e foi exonerado pelo prefeito Marcelo Crivella nesta quarta-feira.

Nos depoimentos, elas citam casos onde o então subsecretário as chamava de "minha namorada" e fazia convites intimidatórios. Além disso, De Paula tocava-lhes sem permissão e até chegou a tentar beijar uma delas à força. As acusações foram corroboradas por mensagens trocadas no WhatsApp entre as funcionárias e De Paula, que se dirigia a elas de maneira inapropriada, chegando a ameaçar uma delas de chantagem, mas depois alegando ser uma brincadeira.

De acordo com uma das denunciantes que registrou ocorrência na Deam, o número de vítimas de assédio pode ser ainda maior.

— Eu conheço pelo menos seis pessoas próximas que já passaram pela mesma situação, mas que têm medo de expor os assédios. Mas lá todos sabem que ele sempre dá em cima de todas as funcionárias, inclusive estagiárias. Cada vez que ele investia e tentava alguma coisa, sem sucesso, ele fazia retaliações com a gente, com ataques nas redes sociais, acusações falsas de venda de vagas ou de desvio de remédios e trocas de posto. Com o aumento das retaliações, fomos para tudo ou nada, sem medo — conta a vítima, sem se identificar.

Num dos relatos, uma veterinária transferida do posto de Bonsucesso para o de Vicente de Carvalho indica que o subsecretário tentou beijá-la numa festa de trabalho, no fim de 2018. "O autor costumava assediar a vítima com mensagens constantes a chamando para sair e, após, passou a agarrá-la com força. Num dia, a puxou pelos braços na festa de final de ano e tentou beijá-la", informa o registro policial.

— Quando aconteceu a primeira vez comigo, durante um plantão na fazenda modelo, em Guaratiba, eu ainda não tinha ouvido outras meninas comentarem. Mas com o tempo a situação foi ficando mais explícita e, conversando com as colegas de trabalho, vi que os assédios não aconteciam só comigo, mas com outras funcionárias.

Nos registros de ocorrência, elas relatam "convites especiais" para almoços e assédio sexual físico. Segundo uma das vítimas, Roberto de Paula costumava lhe dar beijos no canto da boca: "Que o autor também entregou um cartão à amiga da declarante pedindo para entregá-lo a ela; que, na Subem (Subsecretaria de Bem Estar Animal), costumava chegar próximo à declarante e lhe dar beijos no canto da boca, sempre com algum pretexto de tocá-la", informa o registro feito.

Já outra servidora contou à polícia que Roberto enviava mensagens com convites para saírem juntos e que, após as recusas, ele a trocava de posto como uma espécie de castigo — foram cinco desde então.

— A minha filha é uma pessoa muito reservada, então estranhei quando ela começou a mudar de local de trabalho. Eu não entendia o porquê. Um dia ela acabou me contando, e eu cheguei a adoecer de tanto abalo emocional. Perdi 13 quilos, a minha pressão arterial foi lá em cima, sou hipertensa. É minha filha que passou por isso. Um abusador como esse tem que ser parado, não exercer cargo nenhum.

À coluna da Época, o ex-subsecretário Roberto de Paula afirmou que está à disposição para prestar os esclarecimentos caso seja intimado, mas não quis comentar os fatos narrados por elas à polícia.

Em nota, a Prefeitura do Rio informa que "repudia qualquer ato de desrespeito a seus funcionários e colaboradores e que vai aguardar a conclusão das investigações para se manifestar sobre o caso".

A Polícia Civil aponta que as vítimas foram ouvidas e que o autor está intimado a prestar depoimento. "Um dos casos ficará a cargo da Deam Campo Grande, área da ocorrência. Diligências estão em andamento."