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Frustração com leilões de petróleo faz real apagar ganhos de outubro

Marcelo Osakabe

No encerramento desta sexta-feira, o dólar era negociado a R$ 4,1660, alta de 1,82% sobre o real A decepção com o resultado do megaleilão do pré-sal marcou a semana no mercado de câmbio. Ainda que participantes de mercado avaliem que o resultado não muda a perspectiva de médio prazo para o real, a quebra de expectativa de uma entrada massiva de capital levou a moeda brasileira a devolver, em três dias, toda a valorização registrada no mês de outubro.

O pregão desta sexta-feira ainda foi marcado por dois eventos que contribuíram para a performance no dia. No exterior, investidores adotaram uma postura mais defensiva após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negar ter concordado em retirar tarifas para assinar a primeira fase do acordo com a China. A notícia fez as moedas emergentes como um todo recuar.

Além disso, repercutiu o receio dos efeitos políticos da soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o STF reverter ontem, o entendimento sobre a prisão após segunda instância. Há pouco, a Justiça determinou a libertação do petista.

No encerramento desta sexta-feira, o dólar era negociado a R$ 4,1660, alta de 1,82%. O número é superior aos R$ 4,1552 em que se encerrou o mês de setembro - em outubro, a moeda fechou o mês cotada a R$ 4,0098.

No acumulado da semana, o dólar avançou 4,31%. Esta é a maior alta semanal desde agosto de 2018, quando investidores se mostravam apreensivos com as pesquisas eleitorais.

A frustração com o leilão, por sua vez, continua a levar instituições a reverem suas projeções para o câmbio. Hoje, Itaú e Rabobank revisaram de R$ 3,90 para R$ 4,00 suas perspectivas para o fim do ano.

“O mercado estava todo posicionado para um lado [a venda de dólares]. Quando vem uma combinação de notícias como essa, ele é forçado a virar e isso acaba acontecendo mais intensamente”, diz Marcio Simões Rodrigues, gerente da Mesa de Operações BMF da Planner Corretora. “Mas a expectativa é que esse movimento seja mais de curto prazo e que o fluxo volte a entrar mais para frente.”