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Frota de nanossatélites vai formar observatório espacial de alta resolução

Felipe Junqueira

Uma pequena frota de nanossatélites do tipo CubeSats em breve estarão na órbita da Terra para desvendar mais mistérios do universo. A Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF, na sigla em inglês) liberou recursos para o desenvolvimento de um telescópio distribuído, que vai usar uma nave “mãe” e outros CubeSats para fazer as observações.

O projeto tem participação de 10 universidades americanas mais o Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA. O VISORS, sigla em inglês para "óptica virtual de super-resolução com enxames reconfiguráveis", vai usar vários nanossatélites para obter dados em maior resolução do que qualquer outro observatório já construído pela humanidade.

"Desvendar os mistérios do Universo geralmente requer descobrir coisas invisíveis ao olho humano por meio de novas tecnologias de detecção e imagem", observou o professor da Universidade de Illinois, Farzad Kamalabadi, um dos responsáveis pela ideia.

Um dos principais objetos de estudo do telescópio é o Sol. Com a alta resolução das imagens obtidas, os pesquisadores acreditam que será possível observar melhor as estruturas filamentosas na atmosfera solar, local impossível de se chegar muito próximo devido a altas temperaturas.

Entender o motivo de a coroa solar ser muito mais quente que a própria superfície é uma das respostas que astrofísicos ainda buscam. A Parker Solar Probe, da NASA, tenta desvendar esse mistério, mas é sempre bom ter mais cabeças e instrumentos analisando o caso.

Telescópio distribuído

Nanossatélites em órbita baixa vão formar um observatório único (Imagem: CSL/Universidade de Illinois)

O VISORS inclui algumas tecnologias inovadoras, como voo de naves em formação de precisão, ópticas difrativas, que dividem um só feixe de luz em vários a serem focados em diferentes pontos do mesmo eixo, alta transferência de dados em imagens computacionais, além do uso de comunicação entre satélites parecida com o 5G.

Os idealizadores acreditam que esta pode ser uma nova classe de telescópios espaciais. O uso de resolução muito maior do que temos atualmente vai permitir que pesquisadores investiguem muito mais detalhes dos processos astrofísicos.

“Muitas descobertas científicas são resultado de nossa habilidade, por meio de avanços tecnológicos, de observar fenômenos a escalas nunca vistas antes”, observou Kamalabadi, que ainda listou o observador do Nobel, Higgs Bosson, que detectou ondas gravitacionais com interferômetro a laser no Grande Colisor de Hádrons, como um dos exemplos de descoberta por meio de novas tecnologias.

O funcionamento do VISORS terá um satélite com a óptica difrativa como líder, enquanto os outros, que poderão voar de maneira autônoma, vão levar os sensores de imagem.

Um "satélite-mãe" vai receber e processar imagens enviadas pelos outros (Imagem: CSL/Universidade de Illinois)

Conhecimento compartilhado

Falando em novas tecnologias, o projeto do VISORS também tem inovações desde o início. Estudantes de graduação e pós-graduação são bem-vindos e até encorajados a participar do desenvolvimento desse novo telescópio. Isso ajuda a disseminar o conhecimento, incluindo a construção e o funcionamento em geral do observatório.

De acordo com os responsáveis, todas as etapas e novas tecnologias serão discutidas e demonstradas em salas de aula das instituições participantes. Para isso, serão usadas ferramentas de software aberto desenvolvido pelos próprios idealizadores. E mais: há planos de demonstração prática do telescópio para estudantes mais jovens, incluindo exibição em museu.

Kamalabadi explicou que os pequenos satélites sempre tiveram participação estudantil na concepção e aplicação dos projetos. "Esse aspecto da capacidade de desenvolvimento de pequenos satélites foi planejado pela NSF para oferecer oportunidades para capturar a imaginação dos estudantes em atividades que vão além do que é comum na maioria dos campi e para preparar a próxima geração com as habilidades necessárias para inovar na arena sempre em expansão das tecnologias espaciais", observou.

“Esse projeto representa um projeto de pesquisa de ponta a ponta, realizado por uma equipe altamente multidisciplinar, abrangendo conhecimentos em ciência e experimentos espaciais, tecnologias de detecção e imagem, óptica, ciência da computação, engenharia aeroespacial, processamento de comunicações e sinais e automação”, finalizou Kamalabadi.

Fonte: Canaltech

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