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Frigoríficos mineiros interrompem compra de gado após caso de vaca louca

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**ARQUIVO** BARRETOS, SP, 09.08.2018 - Vacas passeiam em pasto irrigado em propriedade rural em Barretos. (Foto: Pierre Duarte/Folhapress)
**ARQUIVO** BARRETOS, SP, 09.08.2018 - Vacas passeiam em pasto irrigado em propriedade rural em Barretos. (Foto: Pierre Duarte/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Frigoríficos de Minas Gerais interromperam as compras de gado para abate depois da confirmação de caso da doença conhecida como vaca louca no estado. A informação é da Afrig (Associação dos Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal).

Na semana passada, a identificação de dois casos atípicos da doença -um em frigorífico Belo Horizonte e outro do Mato Grosso- interrompeu as vendas de carne brasileira para a China, em um momento de crescimento das exportações mineiras ao país asiático.

Os seis frigoríficos do estado que operam com vendas para a China suspenderam as compras de bois para abate. Segundo o presidente da Afrig, Sílvio Silveira, eles estão com as câmaras frigoríficas cheias e há carne à espera de embarque nos portos.

Mesmo aqueles que não exportam -caso do próprio presidente da Afrig- começam a ser impactados, já que a carne que seria vendida para fora deve ser colocada no mercado interno. O temor é que o excesso de carne acabe forçando os preços para baixo.

Dono de um frigorífico em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Silveira diz que reduziu o prazo de compras de bois para abate. A apreensão aumenta porque não há um prazo para que o governo chinês autorize a retomada das compras no Brasil.

"No momento, dependemos da boa vontade da China em retomar as negociações, após ter sido descartado a possibilidade de surto. Não sei se estão utilizando a estratégia de segurar um intervalo de tempo para forçar baixa de preço, o fato é que nos resta aguardar a reabertura das fronteiras", disse Silveira.

Dois terços de toda a exportação mineira de carne bovina de 2021 tiveram o país como destino, segundo a Faemg (Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais).

As compras chinesas cresceram 18% de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período de 2020, para US$ 390,5 milhões (R$ 2.061 bilhões). Em volume, a alta é de 6%, para 73 mil toneladas.

A Secretaria de Agricultura de Minas Gerais estima que a suspensão pode durar até 30 dias, e que só nos próximos meses será possível medir o impacto da paralisação para o estado.

Os casos de vaca louca registrados foram considerados atípicos, que é como são chamadas as ocorrências em que não há a possibilidade de surto entre os animais.

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