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Frente ampla que tirou Netanyahu contraria expectativas e se mantém unida em Israel

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TEL AVIV, ISRAEL (FOLHAPRESS) - Na véspera do Yom Kippur, o Dia do Perdão, a data mais solene do calendário judaico, comemorado em 2021 na última quarta-feira (15), o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, passou o dia concedendo entrevistas aos principais veículos de mídia do país.

Em uma delas, o premiê, líder do partido Yamina (À Direita), elogiou efusivamente seus colegas de coalizão, formada por oito partidos --três de direita, dois de centro e dois de esquerda, além de um partido árabe.

Também celebrou o trabalho dos ministros, de Avigdor Lieberman, do ultranacionalista Israel Nossa Casa, a Nitzan Horowitz, do Meretz, de ultraesquerda. Elogiou até Mansour Abbas, da Lista Árabe Unida: "No momento em que enfatizou questões civis e de economia, o trabalho com ele ficou muito bom".

Mas Bennett enalteceu principalmente o chanceler Yair Lapid, do partido progressista Yesh Atid (Há Futuro), com o qual não concorda em assuntos-chave, como a criação de um Estado palestino (ele é contra, e Lapid, a favor) e a anexação de assentamentos israelenses na Cisjordânia (ele é a favor, e Lapid, contra).

Nada que, neste momento, pareça atrapalhar os plano de passar o comando do governo a Lapid em dois anos, como rege o esquema de rotação dessa coalizão heterogênea. "Lapid é honesto, um amigo, e vou passar o bastão para ele". Mesmo antes, em seu discurso inaugural, Bennett prenunciava o tom a ser adotado: "O que concordamos, realizaremos, o que nos divide, deixaremos para outro momento".

A demonstração de companheirismo em um governo tão diverso é novidade. Nos 12 anos em que esteve no poder, o antecessor de Bennett, Binyamin Netanyahu, raramente dividia os louros, para alimentar a imagem de salvador da pátria insubstituível. As coalizões que liderou eram também mais homogêneas, com maioria de partidos de direita e ultrarreligiosos.

"Relativamente ao que era esperado, este governo está funcionando bem. Se alguém me contasse antes, eu não acreditaria", diz Gideon Rahat, do Instituto de Democracia de Israel e do departamento de ciências políticas da Universidade Hebraica de Jerusalém. "Os assuntos ideológicos aparecem de vez em quando, mas não muito, provando o que todos já sabem: 90% do que governos fazem não são exatamente ligados a ideologias proeminentes. Lidam com assuntos relativos ao bem comum."

Rahat cita como exemplo de tema consensual o coronavírus, que, em Israel nunca foi politizado: "Não é como em alguns lugares em que líderes populistas negam a Covid, e outros, reconhecem. Até Netanyahu reconheceu o perigo e agiu contra o vírus. Então, este governo está lidando relativamente bem com isso".

Assim, afirma Rahat, o segredo do governo Bennett-Lapid, ao menos até agora, é a ideia de que os partidos-membros da coalizão não se amalgamaram em uma ameba sem ideologia.

"É possível colaborar sem perder a identidade. Israel é um modelo, mesmo que não tenha sido o primeiro país a criar esse tipo de governo. Há países que usam isso há décadas, como a Suíça. Essa união acontece muitas vezes contra líderes populistas. Nos EUA, de certa forma, aconteceu contra Trump, com republicanos moderados se unindo a democratas. Parece que algo parecido está nascendo na Hungria."

O que une o governo Bennett é a ojeriza a Netanyahu, já que a atual coalizão foi criada para derrubar o ex-premiê e seu partido, o Likud, dominantes na política israelense por mais de uma década.

No total, "Bibi", como Netanyahu é conhecido, foi primeiro-ministro por 15 anos, mais do que o icônico David Ben-Gurion. Para os rivais políticos que ele acumulou no decorrer dos governos --alguns dos quais grandes aliados no passado, como o próprio Bennett--, tornou-se intolerável manter no poder um político individualista cujos mandos e desmandos alimentavam apoiadores cada vez mais radicalizados, assinalando constantemente o Supremo Tribunal como alvo. Bibi, que hoje enfrenta um julgamento público por corrupção, também personalizou o poder, incluindo guardar apenas para si segredos militares.

A união de forças políticas distintas foi uma ideia que surgiu nos idos de 2013. Já naquela época, Lapid, então um neófito na política após uma carreira de âncora de TV, dizia que só uma frente ampla poderia se opor ao carismático Netanyahu. Mais tarde, aproximou-se de Bennett, de ultradireita, e os dois passaram a ser chamados de "irmãos", virando alvo até de paródias.

A amizade improvável se manteve morna por anos, até Israel passar por um longo período de incertezas, entre 2019 e 2021, quando quatro eleições não conseguiram levar a um governo viável. Assim, diante de um nó político que parecia impossível de ser desatado, a frente ampla ganhou força e derrubou o hoje ex-premiê e as coalizões interinas que Netanyahu se propôs a costurar para se manter no poder.

A dúvida agora é o preço que os líderes da coalizão pagarão, no futuro. Todos enfrentam críticas de apoiadores quando parecem renunciar a seus ideais. Recentemente, quando o ministro da Defesa, Benny Gantz, encontrou-se com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, os membros mais à direita da coalizão rangeram os dentes. No polo oposto, o mesmo aconteceu quando Bennett prometeu a colonos que continuaria a promover a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

Por outro lado, a maioria dos israelenses parece aliviada com o novo cotidiano político, um tanto tedioso, com menos picuinhas, protestos e escândalos diários. Há, claro, rachaduras visíveis e a desculpa de que é preciso mais tempo para mudar o que foi feito --ou o que ficou parado-- no governo anterior. Mas um elemento é certo: a cola que mantém a coalizão é a oposição a Netanyahu.

"O adesivo nesse tipo de governo é a existência de uma espécie de anticristo", diz Rahat, referindo-se ao ex-premiê, que insiste em se manter ativo como líder da oposição e número 1 do Likud, podendo concorrer novamente ao cargo. "Então, enquanto Netanyahu for um candidato possível, a coalizão continuará forte."

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