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Freedom Phone, o celular “anti-censura” que é pura enganação

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Freedom Phone, o celular “anti-censura” que é pura enganação
Freedom Phone, o celular “anti-censura” que é pura enganação

Anunciado ontem (15/07), o Freedom Phone é um celular bem básico que promete proteger a “liberdade de expressão” dos usuários conservadores dos EUA da censura das Big Tech. Ou pelo menos é isso que diz Erik Finman, um autoproclamado “bilionário de Bitcoin” e criador do Freedom Phone, que, na verdade, é um dispositivo altamente suspeito.

Segundo Finman, seu celular anti-censura é “a primeira grande resistência contra as companhias da Big Tech que nos atacam [conservadores norte-americanos]”, com uma “loja de apps sem censura” disponibilizando apps que foram banidos das outras lojas de aplicativos. Esse “ataque” das companhias do Vale do Silício a que Finman se refere tem a ver com incidentes como a rede social Parler ter sido banida da Play Store e App Store, e o ex-presidente Trump perdendo suas contas no Twitter e Facebook. No vídeo de apresentação do Freedom Phone, Finman cita o banimento de Trump das redes sociais como a inspiração para criar seu próprio celular.

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Mas assim como a rede social criada pela equipe de Trump visando o público conservador americano, o Freedom Phone parece bom demais para ser verdade, e não passa de mais uma enganação. De qualquer forma, quem comprar, esteja avisado, fará isso de forma definitiva, já que o site não aceita nenhum tipo de devolução.

Divulgação / Freedom Phone

Custa US$ 500, mas tem visual idêntico a Android de US$ 180

Primeiro problema, o Freedom Phone, que custa US$ 500, é igualzinho ao celular Umidigi A9 Pro da companhia chinesa Umidigi, que custa apenas US$ 180 na Amazon. O próprio Finman confirmou que seu smartphone anti-censura é feito pela Umidigi para o Daily Beast, mas não esclareceu quais as diferenças de hardware que fazem o Freedom Phone custar centenas de dólares a mais que o modelo padrão chinês.

Segunda questão, a “PatriApp Store” do smartphone de Finman parece ser apenas uma Aurora Store, uma loja de apps de código aberto do Google Play, com outro nome. Isso significa que os apps do Freedom Phone vêm do próprio Google Play, então fica a dúvida de como a companhia de Finman pode garantir que os aplicativos à venda ali não sejam “censurados”.

Terceiro problema, segundo vídeos do celular postado por usuários, o celular usa um sistema de operação parecidíssimo com o LineageOS. Como o XDA Developers apontou, é pouco provável que a empresa do LineageOS tenha transferido seu sistema para o Umidigi A9 Pro, então o Freedom Phone provavelmente está rodando uma versão genérica desse sistema.

Considerando todos esses aspectos suspeitos, nem com muita boa vontade dá para acreditar que o Freedom Phone faz realmente tudo que Finman diz que ele faz, mesmo por mais de US$ 300 que um Umidigi A9 Pro básico. No fim das contas, os conservadores que caírem no papo de marketeiro irão ajudar a financiar uma única coisa, o bolso do empresário.

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