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Fratus pensou em 'sumir da face da terra' e foi salvo pelo amor antes do bronze nas Olimpíadas

·5 minuto de leitura
TÓQUIO,  JAPÃO - 01.08.2021 - Olimpíadas Tóquio 2020 - Natação 9° Dia - Bruno Fratus do Brasil, comemora a conquista da medalha de bronze, após a Final dos 50m livre masculino, nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, no Centro Aquático de Tóquio, nesta domingo 01. (Foto: Gian Mattia D'Alberto/LaPresse/DiaEsportivo/Folhapress)
TÓQUIO, JAPÃO - 01.08.2021 - Olimpíadas Tóquio 2020 - Natação 9° Dia - Bruno Fratus do Brasil, comemora a conquista da medalha de bronze, após a Final dos 50m livre masculino, nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, no Centro Aquático de Tóquio, nesta domingo 01. (Foto: Gian Mattia D'Alberto/LaPresse/DiaEsportivo/Folhapress)

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Quando Bruno Fratus diz que tirou "duas betoneiras das costas" com a medalha de bronze nas Olimpíadas de Tóquio-2020, a expressão do seu rosto confirma a sensação de leveza.

Animado nas entrevistas que deu no centro aquático da capital japonesa após a conquista desta sexta-feira (23), o nadador de 32 anos puxou a brincadeira com o episódio que marcou negativamente sua participação na Rio-2016.

"Estou muito feliz. Feliz, não, felizão", corrigiu-se, citando a expressão que usou de forma irônica para comentar o sexto lugar há cinco anos. A forma como reagiu e respondeu à pergunta ao vivo naquela ocasião despertou uma enxurrada de críticas.

Os meses seguintes levaram Fratus ao fundo do poço. "Dois meses depois do Rio, eu estava na pior depressão da minha vida, considerando sumir completamente da face da terra, se é que vocês entendem. Fui salvo pelo amor dos meus pais, pelo amor da Michelle, pela amizade e pelo amor do Brett".

Michelle Lenhardt, sua esposa e treinadora, e Brett Hawke, ex-nadador australiano que também é seu treinador, ajudaram a levar o obstinado Bruno Fratus a um ciclo olímpico de sucesso, com duas medalhas em Mundiais e o inédito bronze em Tóquio.

Veja os principais trechos das entrevistas que Bruno Fratus concedeu após a medalha:

Depressão após Rio-2016

São cinco anos lidando com essa inquietude. Dois meses depois do Rio, eu estava na pior depressão da minha vida, considerando sumir completamente da face da terra, se é que vocês entendem. Fui salvo pelo amor dos meus pais. Fui salvo pelo amor da Michelle. Fui salvo pela amizade, pelo amor do Brett.

Menos de seis meses depois, eu estava decidido que iria completamente arregaçar em toda e qualquer competição que aparecesse até Tóquio. Subi no pódio em todas. A que eu não subi foi porque me estourei treinando.

Em vários episódios da minha vida e da minha carreira, a coisa se resumia a uma pergunta: "Você quer ganhar ou quer perder?".

Depois de Xangai, meu primeiro Mundial, classifiquei com o primeiro tempo e caguei na calça na final, assumo. Não tive a manha de segurar a onda mentalmente, fiquei em quinto. No ano seguinte, Olimpíadas de Londres. Não tive a manha de segurar a onda nos últimos cinco metros de prova, afobei. Depois do Rio, até hoje, o que eu recebo de comentário, de DM [mensagens em redes sociais], eu tive que trocar de número porque recebia mensagem de galera nada a ver falando um monte de besteira.

É algo que, quando você está para baixo, o empurra ainda mais. Mas você cria uma casca grossa, e até me divirto respondendo às vezes. Estou entediando em casa, sem nada para fazer domingo à tarde, eu começo a responder [os haters].

Quase aposentadoria e apoio

Não sei eu deveria falar a vocês, mas eu estava pronto para me aposentar saindo de Lima [Pan de 2019]. Eu nadei à base de anti-inflamatório e remédio para dormir. A Michelle chegou para mim, o Jorge Bichara [diretor do COB] chegou para mim, e falaram: "Cara, mais um ano, vai". Tem muita gente que estava torcendo. Muita gente dos EUA, França, Suécia, dando parabéns para mim, desejando boa sorte antes. Isso quer dizer muito.

Alívio na autocobrança

Um dos motivos pelos quais eu saí das redes sociais é porque precisava viver o meu mundo um pouquinho, estar isolado na minha própria dimensão. Eu vou afunilando quando vai chegando na competição, tirando [da vida] cada vez mais coisas que não importam muito. Hoje foi o último momento, estava eu e a piscina e acabou. É que nem a Mi me falou antes da prova: me permitir ser feliz, independente do que acontecesse hoje. Vocês sabem que eu tenho uma cobrança muito grande em cima de mim, então às vezes o meu trabalho de psicologia é botar o pé no freio. Cara, hoje eu finalmente consegui não me cobrar tanto. Foi incrível.

Agradecimentos a Cielo, Scheffer e Scherer

Eu sou só o cara que sobe no bloco e dá o tiro, mas tem centenas de pessoas para agradecer. Um é o Cesar [Cielo], que mostrou que era possível há uns anos. No começo da minha carreira, se eu não tivesse tido a oportunidade de treinar e competir tantas vezes ao lado do que eu acho que é o maior velocista da história, não teria chegado aqui hoje. E ao Scheffão, Fernando Scheffer, que mostrou nesta semana que era possível [conquistar medalha].

Eu disse uma vez que não tenho ídolo, mas vou usar a palavra aqui. Meu ídolo supremo, o cara que eu mais admiro, que eu cresci vendo, é o Fernando Scherer. Este mostrou que era possível há décadas. Michelle, minha esposa, com certeza, o que ela me falou antes de entrar para a prova fez absolutamente toda a diferença. Brett Hawke, meu melhor amigo e meu técnico, que estava mais ansioso que eu.

Caminho até a medalha

É o poder da perseverança. Nascido e crescido no Brasil, você aprende a ser perseverante, a ter raça, desde muito cedo. Desde muito novo, eu nunca fui o mais alto, eu nunca fui o mais forte, sempre mudando de cidade, sempre sendo o moleque novo no colégio. Por vezes, vítima de bullying por isso. Nunca fazia parte do grupinho. E me achei na natação. O esporte que muda a vida, educa, ensina infinitos valores. Estou soando um pouco demagogo, mas é a verdade, é o que eu sinto.

Até quando competirá

Eu vou chegar em casa, buscar meus cachorros, preciso dar uma tosa no Carlos, que está horrível. Vou abrir uma garrafa de vinho, dividir com minha esposa, e aí a gente conversa. Eu não vou dizer que sim do mesmo jeito que não vou dizer que não [sobre ir para Paris-2024]. Eu não tenho a mínima condição de tomar uma decisão dessas neste momento. Se eu for falar agora, baseado na euforia, vamos para Brisbane-2032. Deixa esfriar a cabeça, depois vocês vão ficar sabendo.

Legado da sua medalha

A medalha no fim do dia é um peso de papel, um objeto. Mas espero que meu caminho até a medalha sirva de inspiração. Procuro ser o mais acessível para que os atletas mais novos possam absorver o máximo que consigam de mim e da minha história.

Espero que minha trajetória inspire, que as pessoas aprendam sobre seriedade no trabalho, fazer as coisas certas. Resiliência é a palavra-chave. Caiu e levantou.

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