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Franceses já não estouram tanto champanhe como antigamente

Rudy Ruitenberg e Robert Williams

(Bloomberg) -- Com o champanhe na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua disputa comercial com a Europa, fabricantes de um dos luxos por excelência da França estão perdendo consumidores domésticos.

Os franceses estão estourando champanhe com menos frequência, outra dor de cabeça para produtores que já enfrentam a dupla ameaça de tarifas dos EUA e da planejada saída do Reino Unido da União Europeia.

Mesmo com o crescimento do mercado externo, a demanda doméstica tem esfriado na última década e a situação piorou em 2018, quando as vendas de champanhe na França caíram em 6,5 milhões de garrafas. A queda parece ter continuado este ano após as fracas vendas durante as promoções de vinhos de outono no país. Além disso, uma greve no setor de transportes se arrastou para a temporada de Natal, reduzindo os gastos no fim do ano.

“Em um contexto econômico e geopolítico difícil, as incertezas associadas, em particular, ao Brexit e ao mercado francês permanecem e ainda exigem muita cautela”, disse a produtora Laurent-Perrier neste mês em alerta sobre as perspectivas para o ano fiscal que termina em março. A empresa disse que suas vendas de champanhe caíram 0,6% no primeiro semestre.

Embora marcas mundialmente reconhecidas como Dom Perignon, da LVMH, e Perrier-Jouet, da Pernod Ricard, tenham se beneficiado da demanda externa na última década, os consumidores domésticos continuam sendo fundamentais para o setor. Cerca de 147 milhões de garrafas de champanhe foram embarcadas na França no ano passado, cerca de três vezes o total combinado do Reino Unido e dos EUA, os dois principais mercados de exportação.

Os supermercados franceses há muito tempo ajudam consumidores a reporem suas adegas antes das festas de fim de ano com promoções de “dois por um” que reduzem o custo por garrafa para menos de 10 euros (US$ 11). Este ano, uma nova lei destinada a aumentar os preços para os agricultores impediu varejistas de oferecerem tais promoções. Isso contribuiu para uma queda de 34% nas vendas de champanhe durante as feiras de vinho de outono dos varejistas, de acordo com a empresa de pesquisa Nielsen.

--Com a colaboração de Thomas Buckley.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Rudy Ruitenberg Paris, rruitenberg@bloomberg.net;Robert Williams em Paris, rwilliams323@bloomberg.net

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