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França pede à UE 'mais firmeza' com Reino Unido em disputa sobre pesca

·2 minuto de leitura
(Arquivo) Pescador francês em Oustreham (AFP/CHARLY TRIBALLEAU)

A França pediu nesta terça-feira (5) à União Europeia (UE) que seja "mais firme" com o Reino Unido sobre as licenças de pesca pós-Brexit.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, declarou na Assembleia Nacional que o governo "recorreu" à presidência da Comissão Europeia para tratar do conflito com o Reino Unido sobre a pesca e pediu-lhe que seja "mais firme" com Londres.

Lembrou, ainda, que Bruxelas é que deve "zelar pelo respeito dos termos do acordo" do Brexit.

"Se isso não funcionar, recorreremos ao painel de arbitragem [do acordo do Brexit] para que os britânicos cumpram sua palavra e questionaremos todas as condições de implementação dos acordos fechados sob a égide da União Europeia e, se for necessário, as cooperações bilaterais que temos com o Reino Unido", ameaçou Castex, que se referiu a uma situação "intolerável".

Concluído em cima da hora no final de 2020 entre Reino Unido e UE, o acordo pós-Brexit prevê que os pescadores europeus possam continuar pescando em algumas águas britânicas, desde que tenham uma licença. Esta será concedida se puderem comprovar que já trabalhavam lá antes do Brexit.

Em 29 de setembro, a ilha de Jersey anunciou que concedeu 64 licenças definitivas para embarcações francesas, embora a França tenha solicitado 169. Rejeitou 75 solicitações.

No dia anterior, Londres concedeu 12 autorizações extras para pescar em suas águas (com limites), contra as 87 que foram solicitadas.

Em 30 de setembro, a ministra francesa do Mar, Annick Girardin, anunciou que a França apresentaria "medidas de reversão" em resposta ao número reduzido de licenças britânicas concedidas aos pescadores franceses.

Nesta terça-feira pela manhã, o secretário de Estado francês das Relações Europeias, Clément Beaune, pronunciou-se nesta mesma linha de ação.

"Nos próximos dias, tomaremos medidas europeias, ou nacionais, de pressão sobre o Reino Unido", alertou, insinuando uma ameaça no campo da energia.

"Por exemplo, podemos imaginar, as ilhas anglo-normandas [como Jersey] dependem do nosso fornecimento de energia (...)", comentou, sem concluir sua frase.

"Nossa paciência tem limite", insistiu Beaune. "Há nove meses discutimos com calma, gentilmente. Chega!", afirmou.

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