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Fragmentos da crosta terrestre agiram como "sementes" para continentes surgirem

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Existe uma teoria propondo que algumas partes da antiga crosta terrestre teriam agido como “sementes” que, depois de bilhões de anos, deram origem a novas formações na superfície, gerando, então, os continentes do planeta. Assim, pesquisadores da Universidade de Curtin, na Austrália, testaram essa possibilidade com cristais de sedimentos da Groenlândia, e alcançaram resultados satisfatórios.

É que, em um passado remoto, a crosta da Terra era bem mais fina e fraca do que é hoje. Contudo, há 3 bilhões de anos, essa camada passou por um pico de crescimento bem massivo, expandindo tanto que acabou rompida em partes menores. De acordo com o estudo, o manto do nosso planeta se aqueceu, de modo que o magma penetrou pela crosta e, junto dos fragmentos dessa camada mais antiga, criou “sementes” que deram origem aos continentes modernos de hoje.

Chris Kirkland, professor de geociência na universidade e principal autor do estudo, diz que a crosta pode ser pensada como um material que fica sobre o manto, o que significa que “ela recebe constantemente novos materiais vindos de baixo, ou seja, quanto mais tempo ficar por cima, mais materiais serão injetados e maior ela vai ficar”. Conforme os elementos radioativos do núcleo da Terra foram decaindo, as temperaturas subiram e fizeram com que a crosta se expandisse; ao fim deste período de crescimento, os primeiros continentes começaram a se formar.

Cristais de zirconita analisados no estudo (Imagem: Reprodução/C. L. Kirkland)
Cristais de zirconita analisados no estudo (Imagem: Reprodução/C. L. Kirkland)

Evidências desse crescimento foram encontradas pelos pesquisadores em cristais, encontrados em sedimentos de rios na Groenlândia. Esses cristais, bastante duráveis, são feitos de silicato de zirconita e se formaram há aproximadamente 3 bilhões de anos, exatamente no período do crescimento: “provavelmente houve vários eventos formadores da crosta ao longo da história da Terra, mas essa injeção global ocorrida há 3 bilhões de anos é, definitivamente, um dos maiores deles”, comenta Kirkland.

Os cristais de zirconita, de tamanho menor que a espessura de um fio de cabelo, se acumularam em rios da Groenlândia e escondem informações importantes: “a zirconita é um dos kits de ferramentas favoritos dos geólogos, porque guarda informações sobre suas origens em sua própria estrutura”. É que, assim como as árvores, eles também têm anéis de crescimento.

Rio na Groenlândia com fragmentos dos cristais (Imagem: Reprodução/Curtin University)
Rio na Groenlândia com fragmentos dos cristais (Imagem: Reprodução/Curtin University)

Então, para descobrir as datas destes anéis com precisão, Kirkland e seus colegas separaram os anéis para análises individuais e, com isso, descobriram que os cristais foram feitos a partir da crosta terrestre antiga, de 4 milhões de anos atrás, e da mais jovem, de 3 milhões de anos. Além disso, outros estudos feitos na África do Sul e Escócia chegaram a resultados parecidos, o que indica a ocorrência de um grande evento global.

A descoberta é um ótimo apoio para a hipótese de os fragmentos da crosta antiga terem funcionado como sementes para uma nova crosta se formar: “é incrível que, com esses grãos individuais, nós conseguimos reconstruir a história do nosso planeta”, comenta o professor. “É quase como acertar a idade dos pais de alguém só de olhar para o filho”.

Os resultados do estudo podem ajudar na busca novas fontes de metais para mineração. A Austrália tem várias reservas de ouro, ferro e níquel, mas a maioria está em partes mais rasas da crosta: “conforme começarmos a usar esses recursos, precisamos procurar novos nas profundezas”, diz ele. Contudo, Kirkland ressalta que seu trabalho neste estudo foi realizado pensando no grande valor acadêmico, não extamanente em uma aplicação prática envolvendo mineração de recursos naturais do planeta: “é mais sobre entender como esses pequenos pedaços de crosta sobre os quais vivemos, se desenvolveram. Poder unir coisas que aconteceram há bilhões de anos a partir desses pequenos grãos é incrível", comentou.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: Canaltech

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