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Fracasso na Opep: Rússia rejeita novos cortes na produção de petróleo

Por Benoît PELEGRIN
Ministro russo de Energia Alexander Novak chega à reunião da Opep e seus aliados em Viena em 6 de março de 2020

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seu principal aliado russo não chegaram a um acordo na sexta-feira (6) para cortar a produção e parar a queda nos preços do petróleo afetados pela nova epidemia de coronavírus.

"A partir de 1º de abril, levando em consideração a decisão tomada hoje, nenhum país, nem a OPEP, nem a OPEP +, é obrigado a reduzir a produção", disse a jornalistas o ministro da Energia da Rússia, Alexandre Novak, depois de longas negociações em Viena.

Durante essas reuniões, a Rússia rejeitou a oferta da Opep de cortar adicionalmente 1,5 milhão de barris por dia até o final de 2020.

A cotação do petróleo em Nova York despencou após a recusa da Rússia. O barril americano de WTI para entre em abril caiu 10,1%, a 41,28 dólares.

Já o barril de Brent do Mar do Norte para maio em Londres caiu 9,4%, a 45,27 dólares, seu preço de fechamento mais baixo em quatro anos.

Os ministros dos 23 países produtores, liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia, deixaram a sede da Opep onde se encontravam desde quinta-feira, tentando chegar a um acordo. E, ao contrário do habitual, eles não participaram de coletiva de imprensa.

A Opep fez todo o possível para convencer seu aliado russo a diminuir drasticamente a produção de petróleo, na esperança de interromper a queda de preços acentuada pela epidemia de Covid-19.

O cartel propôs à Rússia e seus outros nove parceiros um corte coletivo adicional de 1,5 milhão de barris por dia para não deixar a epidemia arruinar os esforços dolorosos feitos desde 2017 para manter os preços do petróleo em um mercado onde há excesso de oferta.

Ansiosa por enviar um forte sinal aos mercados, a Opep decidiu estender o período dessa limitação até o final de 2020, em vez dos três meses adicionais inicialmente previstos.

"O não cumprimento de um acordo faria com que os preços do petróleo caíssem no abismo", opina Stephen Brennock, analista da PVM. Para analistas da JBC, a reunião de sexta-feira foi "um dos dias mais importantes nos quase 60 anos da história da Opep".

Segundo a mídia russa que citou a delegação presente em Viena na sexta-feira, a Rússia não estava convencida de um corte adicional na produção e desejava apenas estender o atual acordo.

As negociações começaram pela manhã na sede do cartel, onde a principal reunião entre ministros e delegações da aliança conhecida como Opep+, que tem 23 países, foi atrasada e precedida por reuniões bilaterais.