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Fracassa ensaio clínico de vacina contra o HIV da J&J na África Subsaariana

·3 minuto de leitura
Uma imagem fornecida pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA mostra uma célula branca infectada com HIV (AFP/Handout)

A tão esperada vacina contra o HIV desenvolvida pelo laboratório Johnson & Johnson não forneceu uma proteção adequada em um ensaio clínico envolvendo mulheres jovens em cinco países da África Subsaariana, anunciaram nesta terça-feira (31) a empresa e autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Embora a vacina não tenha provocado efeitos colaterais graves, sua eficácia na prevenção da infecção pelo HIV foi de pouco mais de 25%.

É uma grande decepção no combate a essa doença - que atinge 38 milhões de pessoas em todo o mundo - e contra a qual a busca por uma vacina não encontrou sucesso até o momento.

Após o anúncio do resultado, o chamado ensaio "Imbokodo", que começou em 2017 e incluiu cerca de 2.600 mulheres com entre 18 e 35 anos, será interrompido e as participantes do Malauí, Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue serão informadas se receberam a vacina ou placebo.

As mulheres e meninas representaram 63% das novas infecções por HIV em 2020 nesta região.

Algumas participantes receberam quatro injeções da vacina ao longo de um ano, e outras receberam um placebo. Dois anos após a primeira injeção, 51 das 1.079 participantes que receberam a vacina contraíram o HIV, em comparação com 63 entre as 1.109 participantes que receberam placebo.

Paul Stoffels, diretor científico da J&J, agradeceu às mulheres que participaram do ensaio e aos parceiros do laboratório em um comunicado.

"Apesar da nossa decepção que a vacina candidata não forneceu um nível suficiente de proteção contra a infecção pelo HIV no ensaio Imbokodo, o estudo fornecerá descobertas científicas importantes na busca contínua por uma vacina para prevenir o HIV", disse ele.

A vacina da J&J usa tecnologia de "vetor viral" - a mesma usada para sua vacina contra a covid-19. Um tipo comum de vírus, chamado adenovírus, é modificado para se tornar inofensivo e transportar informações genéticas que permitem ao corpo lutar contra o vírus-alvo.

"Devemos aplicar o conhecimento aprendido no ensaio Imbokodo e continuar nossos esforços para encontrar uma vacina que proteja contra o HIV", declarou, por sua vez, Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, que está co-financiando o estudo.

O laboratório, porém, continuará com um ensaio paralelo, chamado Mosaico, em homens que fazem sexo com homens e indivíduos trans que é realizado nas Américas e na Europa, onde a composição da vacina difere, assim como as cepas prevalentes do HIV.

A conclusão desse estudo está prevista para março de 2024.

E, de acordo com um site do governo dos EUA, o laboratório Moderna deve começar os testes em setembro de duas vacinas contra o HIV usando a nova tecnologia de RNA mensageiro - usada pela empresa de biotecnologia para sua vacina anticovid-19.

Nas quatro décadas desde que os primeiros casos do que viria a ser conhecido como aids foram documentados, os cientistas fizeram grandes avanços no tratamento do HIV, transformando o que antes era uma sentença de morte em uma condição administrável.

Mas o acesso aos medicamentos não é igual em todos os lugares, e as vacinas têm sido, historicamente, as ferramentas mais eficazes na erradicação de doenças infecciosas.

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