Mercado abrirá em 2 h 53 min

Foto mostra como veríamos a Via Láctea se enxergássemos ondas de rádio

Patrícia Gnipper

A luz visível é apenas uma parte do espectro eletromagnético, cujas frequências sensibilizam o olho humano, sendo que cada frequência é interpretada de um jeito diferente — por isso vemos cores distintas. As demais ondas eletromagnéticas não sensibilizam os nossos olhos e, por isso, não as enxergamos. Entre elas, estão ondas de rádio, microondas, infravermelho, ultravioleta, raios-X e raios gama. E você já imaginou como veríamos a Via Láctea se fôssemos capazes de enxergar ondas de rádio?

Pois foi exatamente isso o que a astrofísica Dra. Natasha Hurley-Walker, do International Centre for Radio Astronomy Research (ICRAR), imaginou — e ainda divulgou uma imagem obtida por meio do radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA) mostrando exatamente como veríamos nossa galáxia se nossos olhos pudessem ver as ondas de rádio. "Essa nova visão captura emissões de rádio de baixa frequência da nossa galáxia, revelando tanto detalhes quanto estruturas maiores. Nossas imagens mostram exatamente o meio da Via Láctea, em direção a uma região que astrônomos chamam de centro galáctico", explica.

As frequências mais baixas aparecem em vermelho, enquanto as médias em verde e as mais altas em azul. Os filamentos dourados indicam enormes campos magnéticos, e restos de supernovas aparecem como pequenas bolhas (Imagem: Dra. Natasha Hurley-Walker, GLEAM)

De acordo com a Dra., "essa ampla faixa de frequências nos permite separar diferentes objetos sobrepostos enquanto olhamos para a complexidade do centro galáctico". Além disso, ela também explica que "essencialmente, objetos diferentes têm 'cores de rádio' diferentes, e podemos usá-las para descobrir que tipo de física está em jogo".

A foto mostra os 27 remanescentes de supernovas descobertos com a pesquisa GLEAM (Imagem: Dra. Natasha Hurley-Walker, GLEAM)

Analisando as imagens do centro galáctico em ondas de rádio, Hurley-Walker e seus colegas descobriram restos de 27 estrelas massivas que explodiram em supernovas no final de suas "vidas", sendo que essas estrelas seriam pelo menos oito vezes mais massivas do que o nosso Sol antes de explodirem — o que teria acontecido há milhares de anos. Contudo, pelo menos um dos remanescentes de supernovas "morreu" há pouco tempo: Hurley disse que esta estrela específica deve ter virado uma supernova há menos de 9 mil anos; então, a explosão pode até ter sido visível no céu noturno daqui da Terra no início do período Neolítico.

As imagens fazem parte da pesquisa GaLactic e Extragalactic All-sky MWA (GLEAM), que mapeia o céu por meio de ondas de rádio em uma medida angular de dois minutos de arco — equivalente à resolução do olho humano.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: