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Fortalecimento do dólar traz mais inflação e reduz PIB potencial do Brasil

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*Arquivo* São Paulo, SP, 24.01.2019 - Notas de dólar dos Estados Unidos. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
*Arquivo* São Paulo, SP, 24.01.2019 - Notas de dólar dos Estados Unidos. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após o real ter registrado uma forte valorização frente ao dólar no início do ano, impulsionado pelos preços elevados das commodities e pela atração de recursos de investidores estrangeiros, ao longo dos últimos meses, o quadro se reverteu bruscamente.

Depois de ter encostado na mínima de R$ 4,61 em meados de abril, frente aos R$ 5,57 em dezembro de 2021, a moeda americana engatou uma trajetória quase ininterrupta de fortalecimento frente ao real, tendo fechado o pregão desta terça-feira (19) cotada a R$ 5,41, o que corresponde a uma alta de aproximadamente 17,3% desde o menor fechamento de 2022.

A apreciação do dólar tende a inflar uma inflação que já se encontra em patamares bastante elevados no Brasil, com potenciais impactos na condução da política monetária pelo BC (Banco Central), e para a recuperação da atividade econômica.

Segundo especialistas de mercado, uma combinação de fatores externos e próprios do país contribuiu para o movimento recente no câmbio.

No cenário internacional, a alta de juros iniciada pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) para combater a persistente pressão inflacionária na região, acentuada ainda mais pela invasão russa à Ucrânia, faz com que mais investidores passem a procurar o mercado americano para alocar seus recursos, à medida que aumentam os rendimentos oferecidos pelos títulos emitidos pelo governo americano.

Já no Brasil, as novas manobras de política fiscal do governo Bolsonaro na tentativa de ganhar algum fôlego às vésperas das eleições, mais recentemente com a aprovação da PEC dos Benefícios, também pesam a favor de uma desvalorização do real, com o aumento da percepção do risco do mercado local sob a ótica dos investidores.

Para Luca Mercadante, economista da gestora de recursos Rio Bravo, a principal consequência que um real mais fraco traz para a economia brasileira é um aumento da inflação, que já vem rodando em níveis bastante elevados no país há algum tempo.

Com o dólar mais caro, os produtos que o país importa dos Estados Unidos automaticamente também sobem de preço, o que se reflete em um aumento generalizado das mercadorias negociadas no mercado brasileiro, explica Mercadante. "O dólar alto acaba fazendo com que os Estados Unidos exporte inflação para outros países."

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,67% em junho, com a inflação acumulada em 12 meses alcançando a marca de 11,89%.

"A conjuntura de aumento dos juros nos Estados Unidos, em um contexto de maior aversão ao risco com a perspectiva de uma desaceleração da economia global, acaba culminando na valorização do dólar", afirma o economista, acrescentando que em momentos de maior incerteza por parte dos investidores em escala global, é comum que haja uma migração maciça para os ativos considerados mais seguros do mercado, sendo o dólar uma das principais alternativas no leque de opções.

O economista da Rio Bravo diz ainda que, em um ambiente global que já não se desenha dos mais favoráveis para ativos de maior risco, o Brasil sofre ainda mais por conta das incertezas sobre a sustentabilidade das contas públicas, seja pelas recentes manobras fiscais do governo Bolsonaro que novamente furaram o teto de gastos, seja pelas dúvidas a respeito da condução da política econômica a partir de 2023, independentemente de quem vencer as eleições.

MENOS CRESCIMENTO

Economista-chefe da gestora Truxt Investimentos, Arthur Carvalho diz que, em um cenário de dólar e inflação mais pressionados, o BC pode ter ainda mais trabalho para conseguir controlar a alta dos preços, eventualmente tendo de estender o processo de aperto monetário acima do previsto hoje pelo mercado.

A maior parte dos agentes de mercado trabalha com mais uma alta de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano, segundo as expectativas coletadas pelo BC para o boletim Focus.

No entanto, confirmada a transmissão de um dólar mais alto para a inflação corrente, Carvalho não descarta a hipótese de a autoridade monetária ter de fazer mais alguns ajustes, levando a taxa Selic para níveis ao redor de 14%.

O economista-chefe da Truxt afirma também que uma taxa de juros ainda mais alta joga uma pressão adicional sobre o custo dos empréstimos às famílias e às empresas, em um cenário no qual a inadimplência já registra patamares recordes, e, portanto, com um provável impacto negativo para o ritmo de recuperação da atividade econômica.

Carvalho acrescenta que, embora as exportadoras de commodities sejam tradicionalmente beneficiadas por um cenário de dólar mais forte, desta vez, o fenômeno não se repete. "Isso por conta da acomodação dos preços das matérias-primas no mercado internacional, ante a desaceleração das grandes economias globais, seja pela alta dos juros, ou pelas restrições de mobilidade impostas novamente pela China", afirma o especialista.

Ele diz ainda que a dinâmica de crescimento do gigante asiático à frente será um ponto importante a ser monitorado para entender o direcionamento dos preços das commodities e do câmbio no Brasil daqui até o final do ano.

O economista da Truxt estima a cotação da moeda oscilando dentro de uma banda ao redor dos R$ 5,40 a R$ 5,50 durante os próximos meses, com uma visão mais conservadora em relação aos pares de mercado --no Focus, a projeção média dos economistas aponta para o dólar a R$ 5,13 em dezembro.

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