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Fornecedores da LG em SP entram em greve após empresa abandonar divisão mobile

Rui Maciel
·6 minuto de leitura

Funcionários da Blue Tech e 3C (ambas em Caçapava), além da Sun Tech (São José dos Campos), três fábricas da região do Vale do Paraíba que produzem smartphones para a LG, entraram em greve nesta terça-feira (06), permanecendo paradas durante todo o dia. Além disso, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, a paralisação será por tempo indeterminado. O movimento ocorre após a LG anunciar na última segunda-feira (05) que está abandonado o mercado de celulares em todo o mundo.

Com a saída da LG do mercado mobile, os 430 funcionários que compõem as três fábricas correm o risco de serem demitidos, já que as fábricas serão fechadas. Isso porque todas as unidades produzem exclusivamente smartphones para a marca sul-coreana.

Funcionários das fábricas que produzem smartphones para LG fazem greve pela saída empresa da divisão mobile (Foto: Roosevelt Cássio / Sind. dos Metalúrgicos)
Funcionários das fábricas que produzem smartphones para LG fazem greve pela saída empresa da divisão mobile (Foto: Roosevelt Cássio / Sind. dos Metalúrgicos)


O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Sun Tech se reuniram hoje, às 11h, para discutirem sobre a situação das trabalhadoras. A entidade defende a manutenção de todos os postos de trabalho e afirma que, caso se esgotem as possibilidades de permanência das fábricas na região, a luta será para garantir que todos os benefícios pagos aos trabalhadores da LG sejam estendidos às funcionárias da Blue Tech, Sun Tech e 3C.

Demissões em plena pandemia e má-fé

Além da paralisação, o Sindicato de São José dos Campos entrou, na segunda-feira, com uma representação no Ministério Público do Trabalho e apresentou denúncia contra a LG e suas fornecedoras por demissão coletiva em plena pandemia, ausência de negociação prévia, falta de transparência e de boa-fé.


Um dos trechos da denúncia afirma que:

“Diante da intenção empresarial em praticar demissões em massa, a primeira ação do empregador deveria ser a negociação coletiva com o sindicato de classe, comunicando de forma clara e transparente a decisão de demitir”

O Sindicato pede a instauração de inquérito civil para que seja aprofundada a apuração dos fatos e que se busquem soluções para reduzir o impacto social da decisão da LG. De acordo com Weller Gonçalves, presidente da entidade:

“O clima nas fábricas é de indignação e muita preocupação. Estamos num momento de alto índice de desemprego, desindustrialização e pandemia. Vamos pressionar os governos para que cobrem da LG a preservação de todos os postos de trabalho”

Estatização ou fechamento

O sindicato defende que o governo federal estatize as empresas que realizarem demissão em massa ou anunciem o fechamento no Brasil. Segundo Gonçalves:

"O que está acontecendo com a LG faz parte de um processo de reestruturação para aumentar as margens de lucro. Nosso país tem capacidade tecnológica para produzir celulares e pode assumir as fábricas que estão sendo fechadas. Defendemos a estatização sob controle dos trabalhadores”

Greve dos funcionários será por tempo indeterminado (Foto: Roosevelt Cássio / Sind. dos Metalúrgicos)
Greve dos funcionários será por tempo indeterminado (Foto: Roosevelt Cássio / Sind. dos Metalúrgicos)

Na mira do Procon-SP

Não bastasse a greve, o anúncio da saída da LG do setor mobile colocou a empresa na mira do Procon-SP. A entidade de defesa do consumidor notificou que a fabricante para que ela explique os seguintes termos:

  • Relação completa de todos os modelos de smartphones disponibilizados no mercado de consumo nos últimos três anos com os correspondentes Manuais de Usuário, bem como relação de Assistências Técnicas Autorizadas;

  • Comprovar período estimado de vida útil dos aparelhos acima mencionados – em condições normais de uso, no tocante à durabilidade e desempenho de eficiência;

  • Plano de atendimento – com indicação de tempo de vigência – aos consumidores adquirentes dos aparelhos smartphones já comercializados pela empresa, descrevendo os procedimentos aplicáveis quando estiverem dentro dos prazos de garantias legais e contratuais;

  • Plano de atendimento – com indicação de tempo que vigência – para manutenções, reparos e reposição de peças aos consumidores não amparados pela garantia legal e/ou contratual;

  • Esclarecimentos sobre eventual redução da Rede de Assistência Técnica Autorizada após encerramento das atividades desenvolvidas pela referida Divisão, bem como forma de sua divulgação para ciência do público consumidor;

  • Comprovação de funcionamento de Canais de Atendimento aos Consumidores, para recebimento e tratamento de demandas após o encerramento de suas atividades;

  • Esclarecimentos sobre o período de tempo em que a empresa manterá a oferta no mercado de consumo de componentes, peças de reposição e acessórios compatíveis aos aparelhos smartphones disponibilizados no mercado de consumo nos últimos três anos, bem como a forma de comunicação de tais procedimentos ao público interessado.

O prazo final para que a LG dê os esclarecimentos acima vai até o dia 09 de abril. Antes da notificação do Procon, a LG já havia enviado um posicionamento bastante genérico e alinhado com sua comunicação global. Nete, a empresa diz apenas que ""mantém o compromisso com seus clientes de smartphones nas políticas de garantia, seguindo os termos de cada um dos países".

Prejuízos seguidos motivaram saída da LG

Depois de cinco anos de prejuízos - ou 23 trimestres, se preferir - e perdas que chegaram a US$ 4,1 bilhões, a LG jogou a toalha e anunciou a sua saída do mercado de smartphones. O fim da divisão mobile está programado para o dia 31 de julho.

No final de 2020, a participação global da LG no setor mobile era de apenas 2%, com 23 milhões de aparelhos vendidos, segundo a consultoria Counterpoint. Uma queda melancólica para quem chegou a ser a terceira maior do mundo em 2013.

Em comunicado divulgado ao público, a empresa afirmou que:

Desde o segundo semestre de 2015, o nosso negócio global de celulares tem sofrido uma perda operacional por 23 trimestres consecutivos, resultando em um acumulado de aproximadamente 4,1 bilhões de dólares (US) até o final de 2020.

Depois de avaliar todas as possibilidades para o futuro do nosso negócio de celulares, o Headquarter Global decidiu por fechar esta divisão a fim de fortalecer sua competitividade futura por meio de seleção e foco estratégico.

Como uma companhia que valoriza profundamente a contribuição de cada funcionário, cliente e parceiro LG, nós comunicaremos de forma aberta e transparente durante este processo, buscando uma abordagem justa e pragmática, enquanto atendemos as obrigações jurídicas.

É com tristeza que compartilhamos esta notícia com os nossos clientes e parceiros que ao longo de todos estes anos nos demonstraram confiança e nos deram apoio.

A LG Electronics do Brasil agradece vocês e irá se concentrar fortemente em seus negócios de modo a continuar a fornecer produtos e serviços inovadores que tornarão a vida melhor.

A LG afirmou ainda que "concentrará seus recursos em áreas de crescimento, como componentes de veículos elétricos, dispositivos conectados, casas inteligentes, robótica, inteligência artificial e soluções business-to-business, bem como plataformas e Serviços".

Para completar, a companhia declarou que continuará a alavancar sua experiência móvel e desenvolver tecnologias relacionadas à mobilidade, como 6G para ajudar a fortalecer ainda mais a competitividade em outras áreas de negócios. As principais tecnologias desenvolvidas durante as duas décadas de operações de negócios móveis da LG também serão mantidas e aplicadas a produtos existentes e futuros.

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Com informações do Procon-SP

Fonte: Canaltech

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