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Formação de gelo em nuvens da Antártida causa aquecimento do oceano

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As nuvens acima da Antártida têm um processo secundário de formação de gelo que afeta diretamente o quanto de energia solar é absorvida pelo continente, segundo novo estudo liderado pela Universidade de Washington. A pesquisa acrescenta uma peça importante para aprimorar os modelos climáticos, destacando a importância desse tipo de nuvem.

Através de modelagens baseadas em imagens de satélite e dados coletados em voos através das nuvens, os pesquisadores detectaram um processo secundário na produção de gelo acima da Antártida. Basicamente, as partículas de gelo colidem com gotículas de água já bem frias e as congelam.

Infográfico com a dinâmica da fragmentação de geada Hallet-Mossop (Imagem: Reprodução/Rachel Atlas et al.)
Infográfico com a dinâmica da fragmentação de geada Hallet-Mossop (Imagem: Reprodução/Rachel Atlas et al.)

Depois, essas partículas de gelo colidem entre si e produzem mais fragmentos de gelo. Essa dinâmica é conhecida como “fragmentação de geada Hallett-Mossop” e é responsável por escurecer as nuvens. Como consequência, menos luz solar é refletida para espaço, e mais chega ao oceano logo abaixo.

A cientista atmosférica Rachel Atlas, autora do estudo, explica que o Oceano Antártico é um enorme dissipador de calor global, mas sua capacidade de absorver calor depende da temperatura das águas superficiais, que interage com a cobertura de nuvens.

Processo secundário

Segundo o estudo, as nuvens com temperaturas entre -3 °C e -8 °C permitem que pelo menos 10 Watts por metro quadrado de energia solar extra alcancem o oceano. Essa quantidade já é o bastante para produzir alterações significativas nas temperaturas da Antártida.

Nuvens escurecidas observadas acima do Oceano Antártico (Imagem: Reprodução/NCAR)
Nuvens escurecidas observadas acima do Oceano Antártico (Imagem: Reprodução/NCAR)

O gelo formado nessas nuvens pode cair mais rapidamente no oceano, reduzindo a quantidade de gotas de água no interior delas e alterando a maneira como essas nuvens refletem a luz do Sol. "Os cristais de gelo esgotam totalmente a nuvem mais fina, reduzindo assim a cobertura horizontal", acrescenta Atlas.

O pico do verão na Antártida ocorre em fevereiro, quando cerca de 90% do céu está coberto por nuvens. Os pesquisadores descobriram que até 25% dessas nuvens apresentam o processo secundário de formação de gelo, então seus efeitos não podem se desconsiderados em modelos climáticos.

Atualmente, poucos modelos climáticos levam em consideração a importância dos diferentes tipos de nuvens ao redor da Terra. “A formação de gelo nas nuvens baixas do Oceano Antártico tem um efeito substancial nas propriedades das nuvens e precisa ser contabilizada em modelos globais”, destaca Atlas.

A pesquisa foi apresentada no periódico científico AGU Advances.

Fonte: Canaltech

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