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Ford: governo estuda sondar outros setores para assumir fábricas da montadora

Eliane Oliveira
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BRASÍLIA - O governo já avalia sondar indústrias de outros setores para assumir as fábricas da Ford que serão fechadas no Brasil, caso nenhuma montadora se interesse pelas plantas. A afirmação é do secretário de Desenvolvimento de Indústria, Comércio e Serviços do Ministério da Economia, Gustavo Ene.

Segundo ele, entre os segmentos que podem se interessar nas unidades estão empresas ligadas à área de metalurgia. Ene enfatizou que é difícil encontrar alguma companhia que queria comprar uma fábrica com capacidade produtiva de 250 mil veículos por ano.

— Não é simples trazer alguém que consiga ocupar esse volume. O mercado interno e internacional sofreu muito com a pandemia. Outra saída seria indústrias de outros setores, em especial metal mecânica, assumir as unidades fabris — disse o secretário ao GLOBO, salientando que o governo federal está coordenando e agilizando as conversas, mas a solução será dada pela Ford, tanto no que diz respeito aos trabalhadores como ao repasse de ativos para outro grupo empresarial.

Como mostrou O GLOBO semana passada, o governo federal abriu conversas com três montadoras para verificar o interesse das empresas. O secretário confirmou as negociações e afirmou que uma delas demonstrou interesse maior. Ele se negou a revelar os nomes das empresas, por uma questão de estratégia empresarial.

Nos bastidores, nomes como a GM, Fiat e Chery eram citadas por integrantes da equipe econômica nos últimos dias como exemplos de montadoras que têm investido no país. Na semana passada, a GM negou ter interesse nas plantas e disse que isso não fazia parte do plano de expansão da companhia no país.

Além das sondagens junto às empresas, o governo tem como foco a requalificação e o aproveitamento dos trabalhadores demitidos, estimados em cerca de 5 mil pessoas. Para ele, os funcionários da Ford podem ser reaproveitados, por exemplo, pelas indústrias de plásticos e materiais de construção, além do próprio setor automotivo.

Quando surgir um interessado com reais intenções de assumir o negócio, este fará um "realinhamento de interesses" com a Ford, que se beneficia, hoje, com regimes de incentivos fiscais. Os governos estaduais serão chamados a participar das conversas etudo será negociado, frisou Ene.

Ele destacou que foi criado um grupo de trabalho no governo, para encontrar uma forma de aproveitar as plantas, com foco total nos trabalhadores. Mas, antes, será preciso aguardar os desdobramentos das negociações com os sindicatos.