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Forças navais no Pacífico aumentam frente ao desafio da China

·3 minuto de leitura
O presidente francês Emmanuel Macron e o então primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull no convés de um submarino australiano em Sydney, 2 de maio de 2018 (AFP/BRENDAN ESPOSITO)

A decisão da Austrália de adquirir submarinos nucleares, em parceria com os Estados Unidos e o Reino Unido, destaca a ascensão de uma Marinha chinesa cada vez mais presente no Pacífico.

A Austrália, que tem seis submarinos Collins de propulsão diesel-elétrica de fabricação sueca que entraram em serviço em meados da década de 1990, deveria renovar seu aparato com 12 submarinos convencionais de concepção francesa.

Ao romper o contrato, o país optou por aumentar ainda mais suas capacidades: a propulsão nuclear permite maior discrição e autonomia ao submarino.

"É uma mudança de necessidade", resumiu o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison.

Como outros, a Austrália está preocupada com uma Marinha chinesa cada vez mais presente. No final de 2020, Pequim tinha um total de 360 navios de combatente de superfície e submarinos, em comparação com 297 navios de toda a frota global dos Estados Unidos, de acordo com o Escritório de Inteligência Naval dos Estados Unidos (ONI).

E a China deve dispor de 400 até 2025 e 425 em 2030, segundo a ONI.

Pequim tem seis submarinos nucleares com lançadores de mísseis nucleares (SNLE) e cerca de quarenta submarinos de ataque, incluindo seis nucleares, de acordo com o Military Balance.

Washington, por sua vez, conta com 21 submarinos de ataque e oito SNLE baseados no Pacífico, principalmente em Pearl Harbor, segundo a Marinha dos Estados Unidos.

Se os Estados Unidos possuem na região 5 de seus 11 porta-aviões, a China iniciou a construção de seu terceiro porta-aviões e está construindo mais destróieres.

Entre 2015 e 2019, os estaleiros chineses construíram 132 navios, em comparação com 68 para os Estados Unidos, 48 para a Índia, 29 para o Japão, 17 para a França, 9 para a Austrália e 4 (incluindo dois porta-aviões) para o Reino Unido, de acordo com um estudo da publicação especializada Janes realizado no ano passado.

Em quatro anos, a China lançou o equivalente à frota francesa, segundo o almirante Pierre Vandier, chefe do Estado-Maior da Marinha Francesa, destacando "o histórico esforço naval chinês" que representa "mais de 55% do orçamento de defesa da China".

Este frenesi chinês tem consequências em toda a região, levando muitos países a implantar uma estratégia que visa proibir a potência chinesa de navergar perto de suas costas. Isso envolve, principalmente, a aquisição de submarinos.

Neste sentido, o Vietnã tem seis submarinos projetados pela Rússia, a Malásia dois submarinos, enquanto a Indonésia encomendou seis submarinos da Coreia do Sul e as Filipinas estão cogitando construir uma frota de submarinos.

Pequim contesta a soberania de todos esses países sobre parte do Mar da China Meridional.

Em outras partes do Pacífico, o Japão tem 23 submarinos, a Coreia do Sul 18, Singapura 2 e a Rússia uma dúzia.

Sinal das tensões na região e de seu interesse, a França, por sua vez, concluiu a implantação no Pacífico de um de seus submarinos nucleares de ataque, o Emeraude, no início de 2021, o primeiro desde 2001.

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