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Forças Armadas birmanesas controlam bilhões de dólares

Sophie DEVILLER
·2 minuto de leitura
Veículos militares nas ruas de Mandalay em 2 de fevereiro de 2021

A junta militar que tomou o poder em Mianmar após o golpe contra Aung San Suu Kyi controla os principais recursos naturais e econômicos do país, entre eles minas, bancos e o turismo, uma riqueza na mira das sanções dos Estados Unidos.

Na quarta-feira, o governo americano anunciou novas sanções, mas ainda não se sabe se apontam somente para os autores do golpe ou também para os gigantescos conglomerados econômicos controlados pelos militares.

Em 2020, o hermético Myanmar Economic Holdings Limited (MEHL) se tornou o centro da atenção depois da morte de quase 300 birmaneses no colapso de uma de suas minas de jade.

MEHL é um dos dois conglomerados de propriedade militar, junto com a Myanmar Economic Corporation (MEC), grupos opacos com interesses colossais em atividades tão diversas como a mineração, a cerveja, tabaco, transporte, indústria têxtil, turismo e bancos.

Através deles, mais de 130 empresas são dirigidas total ou parcialmente por generais, segundo um relatório da ONG Justice for Myanmar (JFM), publicado na semana passada.

O comércio de jade move bilhões de dólares por ano, mas apenas uma parte muito pequena termina nos cofres do Estado e a maioria das pedras de qualidade são contrabandeadas para a China.

- Bilhões de dividendos -

Somente em 2011, o general Ming Aung Hlaing recebeu US$ 250.000 em dividendos por parte da MEHL, segundo um relatório da Anistia Internacional de setembro de 2020.

De 1990 a 2011, os acionistas, todos militares em serviço ou aposentados, receberam cerca de US$ 18 bilhões.

A partir de sua independência em 1948, Mianmar viveu sob o jugo do exército durante 49 anos.

"Eles tiveram tempo para conseguir uma grande parte da riqueza", disse Françoise Nicolas, diretora para Ásia do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).

O breve parêntese democrático de dez anos que o golpe militar acaba de encerrar não mudou a situação, já que o exército conserva importantes prerrogativas graças a uma Constituição feita visando seu próprio benefício.

A esmagadora vitória do partido de Aung San Suu Kyi nas eleições legislativas de novembro de 2020 assustou os generais.

Essa vitória "poderia colocar em risco parte de sua riqueza e muito provavelmente influenciou na decisão do golpe", estima Françoise Nicolas.

Com o golpe, o exército retomou o controle total das empresas estatais, particularmente nos setores do petróleo e gás.

Controla a Myanmar Oil and Gas Enterprise (MOGE), associada com a francesa Total e a americana Chevron, que fatura quase um bilhão de dólares por ano pela venda de gás natural.

Atualmente, as sanções impostas após os abusos do exército em 2017 contra a minoria muçulmana rohingya foram direcionadas apenas a alguns militares, como Min Aung Hlaing.

Washington anunciou novas sanções e decidiu restringir o acesso dos generais a um bilhão de dólares que têm depositados nos Estados Unidos.

bur-sde/ybl/zm/pc/aa