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Fonte de reportagem contra filho de Joe Biden processa Twitter por difamação

Rui Maciel
·3 minuto de leitura

John Paul Mac Isaac, dono de uma loja de manutenção de computadores em Wilmington, no estado de Delaware, se tornou fonte de uma polêmica reportagem do jornal New York Post contra Hunter Biden, filho do democrata Joe Biden, então candidato a presidente nos EUA. E depois de toda a polêmica envolvendo a matéria, ele agora está processando o Twitter por difamação.

Proprietário da The Mac Shop, Mac Isaac foi citado na matéria do Post publicada em outubro - semanas antes das eleições - relatando que a sua loja havia sido paga para recuperar dados de um notebook pertencente Hunter. Além disso, a reportagem publicara ainda e-mails e fotos que, supostamente, eram uma cópia do disco rígido do equipamento. No entanto, o texto da publicação era um pesadelo jornalístico, com apuração e checagem extremamente falhos.

Depois que a origem e as conclusões do Post foram contestadas, o Facebook e o Twitter restringiram o alcance do artigo. A rede social de textos curtos justificou a proibição de publicação do conteúdo por se tratar de "material hackeado". E foi aí que o empresário viu a brecha para processar o microblog.

O proprietário da The Mac Shop afirma que o Twitter, especificamente, tomou a decisão de “comunicar ao mundo que [Mac Isaac] é um hacker”. Ele diz que seu negócio começou a receber ameaças e avaliações negativas após a decisão de moderação do Twitter, e que ele é “amplamente considerado um hacker” por causa da plataforma. Por isso, ele está exigindo US$ 500 milhões em indenização e uma retratação pública da empresa.

John Paul Mac Isaac: ele processa o Twitter em US$ 500 milhões por difamação (Foto: Gofundme.com)
John Paul Mac Isaac: ele processa o Twitter em US$ 500 milhões por difamação (Foto: Gofundme.com)


O curioso é que, ao contrário de muitos processos contra empresas que administram redes sociais, Mac Isaac não está reclamando da remoção do conteúdo pelo Twitter - algo em que ele poderia evocar a Primeira Emenda. Tampouco ele afirma que está sendo vítima de difamação na rede social. Basicamente, seu argumento se baseia no fato de que o Twitter disse que a reportagem do New York Post foi baseada em materiais hackeados e, por extensão, implicou maliciosamente que ele era um hacker.

Em sua defesa, o Twitter define “hackear” de forma vaga. Basicamente, ele classifica o ato como a obtenção de documentos sem autorização. Além disso, no que tange à reportagem, ele não nomeou um indivíduo específico - no caso Mac Issac - como “hacker”.

O New York Post afirma que obteve os arquivos do suposto laptop de Hunter Biden indiretamente, por meio de Rudy Giuliani, advogado de Trump. E Giuliani afirma que obteve os documentos eletrônicos por meio de Mac Isaac.

Outro ponto é que, apesar das várias críticas feitas a Mac Isaac em relação à reportagem do Post, não está claro por que o Twitter deve ser responsabilizado por essas análises. A rede social também declarou um dia depois que as reportagens do Post não violavam sua política de “materiais hackeados”, um posicionamento que foi alterado depois que novos fatos a respeito da matéria vieram à tona.

Abordado pelo The Verge para comentar o processo, o Twitter não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Fonte: Canaltech

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