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Fogo na Cinemateca faz Mario Frias lançar edital para gestão, há um ano sob União

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Secretaria Especial da Cultura publicou um edital para contratação de entidade gestora da Cinemateca Brasileira.

O chamamento público vem logo após um incêndio atingir o depósito da instituição, localizado no bairro Vila Leopoldina, em São Paulo, e após um sem-número de especialistas terem chamado atenção para os altos riscos de que acontecesse uma tragédia.

Vem também após um ano desde que o governo Bolsonaro tomou para si a tutela da Cinemateca, em ação que teve presença da Polícia Federal —até então a instituição era gerida pela Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, entidade privada que afirmava não receber os repasses do governo previsto no contrato.

O edital prevê um contrato de cinco anos com uma entidade privada sem fins lucrativos.

Mario Frias foi ao Twitter colocar a culpa no Partido dos Trabalhadores. "O estado que recebemos a Cinemateca é uma das heranças malditas do governo apocalíptico do petismo, que destruiu todo o estado para rapinar o dinheiro público e sustentar uma imensa quadrilha de corrupção e sujeira criminosa."

No início do ano, em caráter emergencial, a Sociedade Amigos da Cinemateca foi escolhida pelo governo para gerir a Cinemateca. O governo Bolsonaro, porém, não assinou convênio com entidade gestora, conforme tinha anunciado.

O incêndio, já controlado, que atingiu o depósito da Cinemateca Brasileira, teria começado durante a manutenção, por parte de uma empresa terceirizada, no ar-condicionado de uma sala no primeiro andar do imóvel. O prédio fica localizado na rua Othão, número 290, na Vila Leopoldina, e, segundo o Corpo de Bombeiros, não há vítimas. Cerca de 70 profissionais da corporação foram mobilizados para atuar no local.

De acordo com Robson Bertolotto, diretor da Defesa Civil da Lapa, o teto do prédio, que é alugado e teve 25% de sua estrutura atingida, desabou. "Vimos danos causados tanto pelo fogo, quanto pela água. No combate ao fogo, a água acaba danificando materiais. Visualmente eu constatei muitos rolos de filmes preservados, mas também vimos prateleiras retorcidas", disse ele após realizar a vistoria do local.

Em maio deste ano, a Justiça Federal deu prazo de 45 dias para que o governo provasse que estava trabalhando para garantir a conservação do material guardado na Cinemateca Brasileira e que está atuando para retomar o conselho da entidade, principal instituição de preservação do audiovisual brasileiro.

O governador João Doria afirmou que "se São Paulo cuidar da Cinemateca, certamente cuidará melhor do que o governo federal".

Segundo ele, a gestão Bolsonaro "despreza a cultura no Brasil". "Lamentavelmente o incêndio na cinemateca de São Paulo é prova disso", disse.

"Se o governo federal tiver um pouco de apreço pela cultura deveria transferir a Cinemateca ainda que com o problema no incêndio para a gestão da prefeitura de São Paulo. Se assim for, o governo do estado vai apoiar e trabalharemos juntos, na constituição da Cinemateca e na recuperação do que for possível do arquivo que lamentavelmente de filmes históricos que foram queimados."

A associação representativa dos trabalhadores da Cinemateca Brasileira publicou manifestou afirmando que "há mais de um ano denunciamos publicamente a possibilidade de incêndio nas dependências da Cinemateca pela ausência de quaisquer trabalhadores de documentação, preservação e difusão".

"No próximo dia 8 de agosto completará um ano do abandono da Cinemateca Brasileira pelo governo federal e a demissão de todo seu corpo técnico, que sequer recebeu os salários não pagos e as rescisões pela anterior gestora, Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto", segue o manifesto. "Ainda assim foi noticiada a contratação de equipes de manutenção, bombeiros e limpeza. Apesar de serem fundamentais para o funcionamento do arquivo de filmes, não são suficientes para suas demandas específicas, como evidenciado neste dia fatídico."

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