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Foco de Covas, eleitorado mais velho é mais numeroso do que nicho jovem de Boulos

IGOR GIELOW
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na guerra pela prefeitura paulistana, a batalha mais decisiva vem sendo travada na trincheira da idade dos eleitores. Como mostrou o Datafolha ao longo da campanha, culminando na pesquisa divulgada nesta quinta (26), há um fosso entre o apoio do prefeito Bruno Covas (PSDB) e o eleitorado de Guilherme Boulos (PSOL) quando este é o critério de análise. A aposta do tucano é no contingente mais velho, para seus marqueteiros donos de valores mais conservadores e suscetíveis ao discurso de moderação e experiência aplicado pelo prefeito. É uma jogada ancorada num fato simples: Covas lidera com boa vantagem em segmentos da população que somam 69% do cesto de votos na amostra do Datafolha, além de empatar tecnicamente com Boulos entre jovens adultos (24 a 35 anos, mais 20% do universo pesquisado). O prefeito teve, na pesquisa realizada na terça (24) e quarta (25), 54% dos votos válidos, ante 46% do psolista. O levantamento tem três pontos de margem de erro para mais ou menos. No eleitorado que tem de 35 a 44 anos, 21% da amostra, sua vantagem é semelhante: 57% a 43%. O mesmo ocorre na faixa imediatamente acima, de 45 a 59 anos, com o tucano marcando 56% ante 44% de Boulos. Esse grupo soma 25% do universo pesquisado. Já nos 23% que têm mais de 60 anos, a intenção de voto em Covas salta para 68%, ante 32% do nome do PSOL. É por isso que, no particular etário mas não só nele, há preocupação dos tucanos com a abstenção. Ela já foi mais alta do que a média (29,3%) no primeiro turno, e o temor de contágio pela Covid-19 tende a afetar justamente grupos mais idosos, que são de risco. O candidato do PSOL, por sua vez, desde o começo da disputa apostou numa comunicação mais jovem, que lembrava as campanhas do PT da década de 1980. Isso é reforçado pela presença da vice de Boulos, Luiza Erundina, na chapa: ela foi a primeira prefeita eleita da cidade, então petista, em 1988, apesar de ter tido uma gestão mal avaliada. Seu trabalho em redes sociais, às quais os jovens estão mais expostos, foi mais intenso do ponto de vista qualitativo. Só no segundo turno a campanha tucana tentou ganhar algum espaço investindo mais que o adversário, mas a tendência parecia consolidada. Assim, entre quem tem 16 e 24 anos vota majoritariamente em Boulos: 70% a 30% dos válidos, ante Covas. Esse grupo, contudo, é minoritário na amostra, somando 12% dos entrevistados --o total passa um pouco de 100% devido a arredondamentos. A faixa a seguir, de 25 a 35 anos, já vê um empate técnico com o psolista numericamente à frente do tucano: 53% a 47% dos válidos. Essa faixa, como já dito, representa 20% da amostra. Observando os votos totais, que não são utilizados para a contabilidade final na Justiça Eleitoral no dia da eleição, é possível ver que há homogeneidade no número de indecisos e daqueles vão votar em branco ou nulo entre os estratos por idade. Há numericamente menos jovens (16 a 24 anos) indecisos (3%), mas no mesmo nível estatístico do cômputo geral (4%), do que entre os que têm mais de 60 anos (6%, também um empate técnico). Já quando o critério são os brancos e nulos, numericamente eles são maiores entre as duas faixas que vão de 25 a 44 anos, os mesmos 12% --que, de resto, configuram empate com os 9% da amostra toda. Assim, se a tarefa de mobilizar eleitores para ir às urnas e fazer barulho na última hora parece mais fácil para Boulos, dado o histórico da esquerda na cidade, a se confirmarem as tendências os peixes no seu lago são menos numerosos do que no de Covas. Para o tucano, o desafio é de mobilização é teoricamente mais difícil, mas ele tem à sua disposição um universo de apoiadores mais espraiado e de perfil de moderado a conservador.