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FMI se une a Powell, Lagarde em defesa de manutenção de estímulo

Ben Holland, Alaa Shahine e Liz McCormick
·2 minutos de leitura

(Bloomberg) -- O Fundo Monetário Internacional disse que mais gastos públicos serão necessários para completar a recuperação econômica após o impacto da pandemia de coronavírus. O FMI faz eco a presidentes de bancos centrais e líderes financeiros que pedem aos governos para deixarem de lado o temor das dívidas crescentes por enquanto.

O FMI, historicamente um defensor de orçamentos sob controle, publicou na quarta-feira seu mais detalhado estudo sobre o impacto da pandemia nas finanças públicas. O Fundo disse que a dívida pública global “dará um salto sem precedentes” neste ano, mas “não é o risco mais imediato. A prioridade de curto prazo, em vez disso, é evitar a retirada prematura do apoio.”

O argumento foi defendido com crescente urgência por presidentes de bancos centrais que participam da reunião anual do FMI nesta semana. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, iniciou o o evento online dizendo que sua maior preocupação é que a ajuda fiscal a trabalhadores e empresas possa ser extinta de forma muito abrupta.

Várias autoridades do Federal Reserve, liderado pelo presidente Jerome Powell, fizeram fila na semana passada para apresentar o mesmo argumento em relação aos Estados Unidos, onde as negociações sobre a próxima dose de estímulo estão paralisadas há meses no Congresso. Autoridades do Fed disseram que suas próprias ferramentas, como outra rodada de compra de títulos, não serão tão eficazes quanto os gastos públicos.

A mensagem dos bancos centrais mais poderosos é cada vez mais clara: há limites para o que a política monetária pode fazer para ajudar no curto prazo. As autoridades fiscais - que podem tomar empréstimos a taxas de juros baixíssimas e possuem ferramentas mais adequadas para fornecer um impulso rápido e direcionado - terão de terminar o trabalho.

Powell e Lagarde lutam contra o “mito do banco central onipotente”, capaz de resolver qualquer problema na economia, disse Paul Donovan, economista-chefe global da UBS Wealth Management, em Londres. “Eles nem sempre conseguem resolver”, disse. “Isso não é uma crise de crédito. Cortar o custo do crédito não vai estimular a economia.”

Governos já injetaram cerca de US$ 12 trilhões em estímulos, segundo estimativas do FMI, o que aumentou seus déficits orçamentários em uma média de 9 pontos percentuais do PIB e pode levar a dívida pública global a ultrapassar 100% do PIB pela primeira vez em 2022. Mesmo assim, a recuperação global dá sinais de desaceleração.

“Você não pode retirar prematuramente qualquer suporte de política, e só pode fazê-lo quando circunstâncias melhorarem”, disse José Viñals, presidente do conselho do Standard Chartered, em entrevista à Bloomberg TV. “Ainda será necessário muito apoio fiscal, também no próximo ano, e talvez depois disso.”

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