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FMI reduz previsão de crescimento do Brasil de -5,3% para -9,1% em 2020

Toni Sciarretta e Ana Conceição

Por outro lado, o fundo elevou a perspectiva de expansão do PIB do país no próximo ano de 2,9% para 3,6% O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento para a economia brasileira de -5,3% para -9,1% em 2020. A expectativa difere da projeção de retração de 6,5% do último Boletim Focus do Banco Central.

AP Photo/Andre Penner

No relatório, o fundo não detalhou os motivos que levaram à piora nas perspectivas para a economia brasileira, citando apenas as dificuldades que alguns países da América Latina ainda têm para controlar a pandemia de covid-19. “Na América Latina, onde a maioria dos países ainda luta para conter as infecções, as duas maiores economias, Brasil e México, devem contrair 9,1% e 10,5%, respectivamente, em 2020”, informou.

No entanto, durante a entrevista coletiva para falar sobre os dados, Gita Gopinath, economista-chefe do FMI, afirmou que o aumento dos casos de covid-19, as dificuldades em conter a pandemia e a queda maior que a esperada na economia mundial estão por trás da revisão da estimativa.

“O aumento dos casos de coronavírus é, de fato, um dos fatores que fizeram o FMI reduzir as projeções em muitos países. Como outros emergentes, o Brasil tem muitos desafios”, afirmou Gita. Gian Maria Milesi-Ferretti, vice-diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, acrescentou que a queda da economia global também terá impacto sobre a atividade econômica brasileira.

Durante a coletiva, Gita afirmou ainda que as previsões têm um alto grau de incerteza, especialmente porque existe o risco de uma segunda onda de covid-19 no mundo, como já mostram os aumentos de casos em vários países que já tinham iniciado a reabertura da economia. Cerca de 75% dos países atingidos pela doença iniciaram esse processo, segundo o FMI.

Por outro lado, o FMI elevou a perspectiva de expansão do PIB do país no próximo ano de 2,9% para 3,6%. “Para as economias que ainda lutam para controlar as taxas de infecção, a necessidade de continuar com os bloqueios e o distanciamento social terá um custo adicional para as atividades”, afirma o documento.