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FMI: pandemia afetará duramente a economia global com contração de 4,9%

Por Ariela NAVARRO
(Arquivo) A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, em 17 de janeiro de 2020, em Washington

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu nesta quarta-feira (24) que a crise econômica provocada pela pandemia não tem qualquer comparação e que a recuperação ainda é incerta, o que levou a instituição a reduzir fortemente as previsões de abril para uma contração da economia global de 4,9% em 2020.

A "profunda contração" - mais aguda do que a primeira estimativa de queda de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano - está marcada por uma "incerteza generalizada", porque ainda não é possível saber a dimensão e a duração do choque provocado pela pandemia do coronavírus. Até o momento, são mais de 477.000 mortos pela COVID-19 em todo mundo.

"Agora projetamos uma recessão mais profunda em 2020 e uma recuperação mais lenta em 2021", advertiu a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.

"A pandemia de COVID-19 teve um impacto mais negativo na atividade no primeiro semestre de 2020 e projetamos que a recuperação será mais gradual do que havíamos previsto", afirmou a instituição multilateral na atualização de suas "Perspectivas da Economia Mundial" (WEO, na sigla em inglês).

O FMI destacou que um componente importante da crise é uma contração "profunda e sincronizada" que afeta as economias desenvolvidas.

Em 2020, a paralisação provocará uma queda do PIB de 8% nos Estados Unidos; de 10,2%, no Reino Unido; uma contração de 7,8%, na Alemanha; de 12,5%, na França; e de 12,8%, na Itália.

Para a América Latina e Caribe, a instituição reduziu consideravelmente as estimativas para o ano e anunciou que projeta uma contração 9,4% da região, com uma hecatombe das principais economias: queda de 9,1% do PIB no Brasil; 10,5%, no México; e de 9,9%, na Argentina.

Na China, a origem da pandemia, a recuperação está em marcha, e o FMI prevê um crescimento de 1% para este ano, deixando para trás um ritmo de expansão de mais de 6% nos anos anteriores.

- Incerteza sobre a crise -

Gopinath afirmou que, segundo as previsões atuais, esta crise vai tirar 12 trilhões de dólares da economia e alertou: "ainda não estamos fora de perigo".

A economista também recomendou aos governos que não retirem muito cedo os programas de estímulo. "Este tipo de crise requer ter toda ajuda possível", acrescentou.

O FMI destacou que, pela primeira primeira vez, "projeta-se que todas as regiões devem registrar um crescimento negativo em 2020".

A instituição multilateral explicou que o cenário da pandemia criou uma combinação única de fatores que levou à contração global, com uma queda da arrecadação, uma confiança frágil dos consumidores durante o confinamento, além da relutância das empresas a assumirem o compromisso de novos investimentos.

O FMI destacou que prevê a perda de 300 milhões de empregos para o segundo trimestre do ano, um golpe que será particularmente duro para os empregos de baixa qualificação que não podem adotar o teletrabalho.

O Fundo adverte que o impacto da crise nas famílias de baixa renda é muito forte e pode afetar os progressos na luta global contra a pobreza registrados desde a década de 1990.

Para 2021, o FMI espera uma recuperação global, com um crescimento de 5,4% da economia mundial, com um avanço de 4,5% nos Estados Unidos, e de 3,7%, na América Latina.

Também destacou que, embora projete uma recuperação, os números para 2021 ocultam cortes de até 6,5 pontos para algumas economias em relação às previsões feitas em janeiro.

A instituição adverte que uma queda da atividade mais prolongada pode deixar mais cicatrizes na economia, incluindo mais fechamentos de empresas, uma relutância nas contratações e mais danos econômicos para os trabalhadores.

- Queda acentuada do comércio -

Outro fator que se une à dinâmica recessiva é a queda de 11,9% do volume do comércio internacional, ainda mais pronunciada do que a queda de 9% prevista em abril, devido à redução da demanda de bens e serviços, incluindo a indústria do turismo.

"Além dos riscos relacionados à pandemia, a escalada das tensões entre Estados Unidos e China em várias frentes, os vínculos abalados entre membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e o ampliado mal-estar social geram desafios adicionais para a economia", completou o FMI.

Um aumento dos custos para as empresas também está no horizonte, consequência das mudanças nos hábitos de limpeza para higienizar equipamentos e as normas de distanciamento social.

O FMI afirma que existe a possibilidade de que a queda seja menos severa do que o previsto atualmente, mas insiste em que "os riscos de baixa continuam significativos".