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FMI melhora previsões para América Latina, mas alerta para 'recessões profundas'

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Julie Kozack (D), subdiretora do Departamento das Américas do FMI, e Luis Cubeddu (E), chefe da Missão para a Argentina, conversam com o ministro argentino da Economia, Martín Guzmán (C), em 14 de fevereiro de 2020, em Buenos Aires
Julie Kozack (D), subdiretora do Departamento das Américas do FMI, e Luis Cubeddu (E), chefe da Missão para a Argentina, conversam com o ministro argentino da Economia, Martín Guzmán (C), em 14 de fevereiro de 2020, em Buenos Aires

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou, nesta terça-feira (13), sua previsão para as economias da América Latina e do Caribe em 2020, embora tenha alertado sobre "recessões profundas" em alguns países duramente atingidos pela pandemia de covid-19. 

O Produto Interno Bruto (PIB) regional vai recuar 8,1% neste ano, menos que os 9,4% previstos em junho, informou o organismo multilateral ao atualizar o "Panorama Econômico Mundial" (WEO, na sigla em inglês). 

O Fundo acrescentou que o panorama continua "precário" nas economias emergentes, "com muitos países latino-americanos gravemente afetados pela pandemia enfrentando recessões muito profundas". 

Entre os fatores para essa situação, o FMI menciona a disseminação contínua da covid-19, o impacto da crise da saúde em setores-chave, como o turismo, e uma maior dependência de financiamento externo, incluindo as remessas.

Para 2021, o FMI projetou uma recuperação do PIB regional de 3,6%. 

América Latina e Caribe é a região do mundo mais afetada pela pandemia declarada em março. Com mais de 10,1 milhões de casos e quase 370.000 mortes, é responsável por mais de um quarto das infecções e mais de um terço de todas as mortes por covid-19 do planeta.

- Brasil e México com perspectivas melhores -

Para Brasil e México, principais economias da região, e ambos entre os cinco países com mais óbitos pelo novo coronavírus, o FMI registrou quedas do PIB menores do que o esperado em meados do ano. 

Para o Brasil, estimou uma contração substancialmente menor, de 5,8% (melhora de 3,3 pontos percentuais em relação a junho), e para o México, de 9,0% (+1,5%). 

O FMI já havia divulgado esses números na semana passada em seu relatório periódico sobre a economia de seus membros, conhecido como Artigo IV. Em ambos os casos alertou sobre os riscos para o crescimento. 

As projeções do Fundo também são ligeiramente melhores para o Chile (-6,0% em comparação aos -7,5% em junho). No entanto, pioraram para Argentina (-11,8% em comparação aos -9,9%) e Colômbia (-8,2% em comparação aos -7,8%). 

A Argentina, em recessão desde 2018, enfrenta uma profunda crise econômica e social agravada especialmente pela pandemia. O país planeja negociar com o FMI um novo contrato de crédito em meados de novembro, depois que a agência lhe concedeu o maior empréstimo de sua história: 57 bilhões de dólares, com desembolso de 44 bilhões. 

A Colômbia, em sua primeira recessão em duas décadas, aumentou no mês passado em 6,5 bilhões de dólares sua linha de crédito flexível com o FMI que havia contratado em maio. 

Para o Peru, o FMI manteve sua projeção de contração de 13,9% do PIB em 2020 em relação a 2019. 

De longe, o maior colapso da América Latina ainda é o da Venezuela, mergulhada em um desastre econômico desde 2013. Para este país caribenho, o Fundo prevê uma contração de 25% do PIB, acima dos 20% estimados em junho. 

O Fundo esclareceu, entretanto, que as projeções para a economia venezuelana são marcadas por uma "grande incerteza" devido à falta de relatórios do Artigo IV desde 2004. 

As previsões de crescimento são generalizadas na região para 2021, com exceção da Venezuela, onde o FMI projetava uma queda de 10,0%.

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