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FMI melhora perspectivas para América Latina, mas adverte que perderá impulso

O FMI melhorou as perspectivas econômicas para a América Latina, que crescerá 3% este ano, mas prevê uma desaceleração no segundo semestre devido a inflação e da queda dos preços das matérias-primas.

A reabertura da hotelaria e do turismo, o aumento da demanda e as condições financeiras favoráveis permitiram à região recuperar os níveis de emprego pré-pandemia, observam em um blog Gustavo Adler, Ilan Goldfajn e Anna Ivanova, do Departamento do FMI para as Américas.

O FMI é otimista para a região: prevê um crescimento de 3% este ano, uma revisão para cima de 0,5 ponto percentual em relação à previsão de abril. No entanto, a situação será desfavorável durante o segundo semestre.

Entre os principais desafios estão o crescimento global mais lento, a inflação em alta e as tensões sociais crescentes em meio à insegurança alimentar e energética.

Por isso, a previsão para 2023 é mais pessimista:  2% de expansão, uma revisão para baixo de 0,5 ponto percentual.

- Inflação, problema compartilhado -

A recuperação tem sido desigual, mas todas as economias compartilham a alta inflação.

Alguns países, como da América do Sul, se beneficiaram do aumento dos preços das matérias-primas, impulsionado pela guerra na Ucrânia, que tem favorecido os exportadores. Já os países importadores, como os da América Central e do Caribe, mais dependentes do turismo, sofreram.

O Brasil crescerá 1,7% em 2022, a Argentina 4%, Chile 1,8%, Colômbia 6,3%, graças especialmente ao setor de serviços, México 2,4% e Peru 2,8%.

As economias do Caribe crescerão 3,4%, atrasadas em sua recuperação porque ainda não atingiram o dinamismo turístico anterior à pandemia.

Em um movimento contrário, América Central, Panamá e República Dominicana superaram os níveis de produção pré-pandemia, em parte graças à rápida recuperação nos Estados Unidos, por meio de exportações e fluxos de remessas de seus nacionais nesse país. O FMI prevê que suas economias cresçam 4,7% este ano.

Mas o continente enfrenta desafios. Os preços de algumas matérias-primas caíram, a inflação permanece inabalável, as perturbações na cadeia de suprimentos persistem e os bancos centrais estão aumentando as taxas de juros, o que diminui o consumo e o investimento. Tudo isso em um contexto de demanda global reprimida, alerta o blog.

O FMI estima que os preços na região permanecerão altos durante algum tempo, com inflação de 12,1% este ano e 8,7% em 2023, uma das mais altas dos últimos 25 anos.

Diante dessa situação, os autores do blog recomendam que os governos da região garantam a sustentabilidade fiscal, mas sem deixar de ajudar as pessoas mais vulneráveis "com ações específicas e, se necessário, medidas temporárias durante um período de crescimento mais lento e inflação alta".

erl/mr/ap

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