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FMI: crescimento mundial em 2020 será inferior ao de 2019

Kristalina Georgieva participa em Washington de entrevista coletiva sobre a COVID-19

O crescimento global será menor este ano do que em 2019 por causa da epidemia de coronavírus, mas é "difícil prever" o quanto a economia cairá, disse nesta quarta-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

A chefe do FMI, que deu uma entrevista coletiva em comum com David Malpass, presidente do Banco Mundial, considerou que a epidemia que atinge a oferta e demanda econômica mundial exige uma "resposta global".

"Em tempos de incerteza, é melhor fazer muito do que não fazer o suficiente", disse Georgieva.

O crescimento global foi de 2,9% em 2019, e em janeiro o FMI ainda previa uma expansão de 3,3% até 2020.

Segundo a diretora-gerente, a avaliação de impacto é difícil, porque ainda existe uma incógnita maior, que é a duração da epidemia, que afeta aproximadamente um terço dos 189 membros do órgão financeiro multilateral.

O Fundo avalia a situação, país por país, para medir o impacto com a maior precisão possível, mas Georgieva esclareceu que números precisos não devem ser esperados em "várias semanas".

A organização tradicionalmente publica suas previsões de crescimento global e regional em abril e depois no outono.

Georgieva afirmou que o contágio que atinge as cadeias de oferta - através das cadeias de produção - e de demanda, que é afetada pelas medidas de contenção, exigem "uma resposta global".

Questionada sobre a decisão, na terça-feira, do Banco Central americano (Fed) de reduzir suas taxas - um gesto sem precedentes da instituição desde a crise financeira de 2008 -, a dirigente e evocou a necessidade de "adotar medidas que restaurem a confiança".

Ela e Malpass insistiram na necessidade de estreita cooperação internacional, no momento em que as reuniões de diferentes grupos multilaterais estão se multiplicando (G7, Eurogrupo etc.) para encontrar uma resposta coordenada à crise.

- Ajuda contra a epidemia -

Neste contexto, os países-membros do FMI prometeram nesta quarta-feira dar "todo o apoio necessário para limitar o impacto" da epidemia de coronavírus, sobretudo nos países mais vulneráveis, após uma teleconferência do comitê monetário e financeiro da instituição.

"Pedimos ao FMI que utilize todos os instrumentos de financiamento à sua disposição para ajudar os países-membros necessitados", indicaram os integrantes do Fundo em um comunicado.

Georgieva disse que o FMI disponibilizou US$ 10 bilhões para empréstimos com juros zero, especialmente para os países mais frágeis.

O Banco Mundial havia anunciado na terça-feira um plano de emergência de 12 bilhões de dólares para ajudar os países que precisam "tomar medidas eficazes" para conter a epidemia, salvar vidas e mitigar o impacto econômico do coronavírus".

Nesta quarta, Malpass insistiu na atenção que deve ser dada às necessidades de financiamento de curto prazo das empresas, mas também exortou repetidamente os países membros a realizar reformas estruturais que podem torná-las mais resistentes a choques sistêmicos da natureza da epidemia de COVID-19.