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FMI: Argentina precisará de alívio dos credores para dívida voltar a ser sustentável

Valor

A diretora-gerente do Fundo afirmou que continuará trabalhando com o ministro da Economia da Argentina durante esse período de dificuldade A pedido do governo de Alberto Fernández, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, nesta sexta-feira (20), uma nota técnica sobre a situação da Argentina e afirmou que os credores privados precisarão dar um alívio substancial ao país para que a dívida pública volte a ser sustentável.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse que a entidade mantém como prioridade o apoio à recuperação da Argentina, em recessão desde 2018, com milhões de pessoas em situação de pobreza.

“Enfrentar esses problemas se tornou algo ainda mais difícil à luz da pandemia do coronavírus e seus impactos sobre a economia e a saúde”, afirmou a economista búlgara, em comunicado.

Os técnicos analisaram a capacidade da Argentina de quitar no médio e no longo prazo os US$ 323 bilhões em dívidas - montante que inclui os US$ 44 bilhões recebidos dentro do acordo firmado com o FMI ainda no governo de Mauricio Macri.

“Em particular, a análise da nossa equipe mostrou que, considerando a capacidade de pagamento e o existente ônus da dívida, é alta a probabilidade de que seja necessário um alívio substancial por parte dos credores privados para restaurar a sustentabilidade da dívida”, explicou a diretora-gerente do FMI.

Georgieva também afirmou que continuará trabalhando com o ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, durante esse período de dificuldade. A prioridade será dada àqueles que estão mais expostos à crise. O objetivo é, segundo ela, criar um caminho para que o país volte a ter uma economia próspera, possa gerar empregos e elevar o nível de vida dos argentinos.

Guzmán deve apresentar na noite desta sexta-feira uma proposta para reestruturar a dívida argentina. No início do mês, Fernández publicou um decreto que autorizava a renegociação de US$ 68,8 bilhões.