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FMI alerta para 'difícil' recuperação mundial após covid-19

Delphine TOUITOU
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A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, em 4 de março de 2020, em entrevista coletiva sobre a covid-19, em Washington, D.C.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, em 4 de março de 2020, em entrevista coletiva sobre a covid-19, em Washington, D.C.

A economia mundial enfrenta um árduo caminho para sua recuperação, após a crise da covid-19, e os países deverão eliminar as barreiras comerciais para a tecnologia médica para estimular essa melhora - disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, nesta quinta-feira (19).

Este apelo da diretora-gerente do FMI se volta para a reunião virtual do G20 neste fim de semana, no momento de retomada de uma pandemia que deixou mais de 1,3 milhão de mortos em todo mundo, assim como uma crise que causou uma forte contração da economia global.

"Embora uma solução médica para a crise esteja à vista, o caminho para a recuperação econômica continua sendo difícil e sujeito a retrocessos", antecipou Georgieva.

Para a diretor-gerente do organismo multilateral, o caminho para uma recuperação será árduo, e os países deveriam eliminar as barreiras tarifárias à tecnologia médica para avançar em direção à recuperação.

Várias empresas farmacêuticas relataram progressos animadores para a produção de uma vacina eficaz contra o coronavírus, enquanto os casos continuam a aumentar, forçando alguns países a reimporem restrições para frear os contágios.

"O aumento nas infecções é um poderoso lembrete de que uma recuperação sustentável não pode ser alcançada a menos que derrotemos a pandemia em todos os lugares", disse Georgieva, fazendo um apelo aos países para que cooperem, de modo a garantir que o fornecimento de vacinas, testes e medicamentos seja adequado.

A chefe do FMI também pediu que haja esforços multilaterais para a fabricação, compra e distribuição de recursos médicos, especialmente para os países pobres.

"Isso também implica eliminar as recentes restrições comerciais para equipamento médico, incluindo aquelas relacionadas com as vacinas", frisou Georgieva.

- Última cúpula -

O Fundo espera que o Produto Interno Bruto (PIB) global vá se contrair 4,4% este ano para, então, registrar uma recuperação de 5,2% em 2021.

Georgieva destacou que o crescimento do terceiro trimestre foi melhor do que o esperado nos Estados Unidos, no Japão e em vários países europeus.

A reunião virtual do G20 organizada pela Arábia Saudita será a última reunião deste grupo para o presidente dos EUA, Donald Trump, derrotado em sua tentativa de reeleição e ainda se recusando a reconhecer a vitória do democrata Joe Biden.

Nesse ambiente sem precedentes nos Estados Unidos, não está claro se o magnata republicano participará do encontro.

Durante sua administração, Trump incendiou conflitos comerciais com a China e com seus aliados europeus, que frearam o crescimento global desde antes da chegada do vírus.

Em outra publicação, o FMI também pediu aos países que trabalhem juntos para conter a pandemia.

"A combinação de políticas nacionais bem coordenadas com medidas globais vai ajudar a garantir que haja uma recuperação forte e sustentável", disse este credor multilateral.

O FMI também lançou um apelo para que Reino Unido e União Europeia concluam um acordo comercial sobre suas suas trocas após o Brexit.

Por fim, a instituição reiterou seu mantra em favor de que os países mantenham um maior nível de gasto público para superar a retração econômica e reconfigurar suas economias para o crescimento, assim como para lutar contra a mudança climática.

Dt/lo/cs/an/dga/tt