FMI admite frágil recuperação e pede que EUA e Japão tomem medidas rápidas

México, 5 nov (EFE).- A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu nesta segunda-feira que os Estados Unidos busquem rápidas soluções para o chamado precipício fiscal e o teto da dívida e exerceu pressão para que o Japão promova políticas fiscais no curto e médio prazos.

Em entrevista coletiva na Cidade do México após a reunião de ministros de Finanças e governadores de bancos centrais do Grupo dos Vinte (G20, que reúne as economias ricas e as principais emergentes), Lagarde disse que a situação econômica "continua sendo difícil e a recuperação, frágil", mas destacou notáveis avanços durante a presidência mexicana neste fórum de consultas.

No atual contexto, considerou fundamental "a implementação das políticas por parte de todos os 'tomadores' de decisões", sobretudo de atores fundamentais como EUA, Japão e a zona do euro.

Sobre os EUA, Lagarde disse que o chamado "precipício fiscal" e o teto da dívida representam um risco no curto prazo e um fator de incerteza para a economia global, pelo que devem ser abordados da forma mais rápida possível por esse país.

Os EUA enfrentarão um precipício fiscal no ano que vem se republicanos e democratas não entrarem em acordo antes do fim de 2012 para fixar um ritmo sustentado de consolidação fiscal, o que pode derivar em uma alta de impostos e uma grande redução dos gastos públicos em 2013.

O presidente que for eleito nesta terça-feira nos EUA enfrentará o desafio de alcançar um consenso político a apenas dois meses de 2013 e deve encontrar uma solução não só em benefício da sua própria economia, mas também para a de outros países, como México, Canadá e outras nações que podem ser afetadas por uma contração econômica, acrescentou Lagarde.

Nesse sentido, a diretora-gerente destacou critérios alcançados pelo G20 em torno da consolidação fiscal, e assinalou que esta deve acontecer no "ritmo correto", "estruturalmente dirigida", em vez de fixar metas nominais, e as medidas devem ser "tão amigáveis com o crescimento quanto possível".

O pacote de consolidação fiscal deve ser combinado com políticas monetárias e reformas estruturais para que sejam eficientes, apontou.

Entre as conquistas alcançadas durante a presidência mexicana do G20, que se encerra no fim deste mês, a titular do FMI destacou os acordos bilaterais alcançados para a obtenção de recursos adicionais, em um total de US$ 461 bilhões, a fim de proteger os membros da instituição contra a crise.

Lembrou que recentemente o FMI assinou em Tóquio acordos bilaterais que somam US$ 219 bilhões e em algumas semanas assinará outro lote de convênios de cerca de US$ 100 bilhões.

Lagarde também destacou o fortalecimento do papel do FMI na prevenção das crises através de uma vigilância integral que permitirá detectar as "vulnerabilidades em uma economia cada vez mais interconectada".

Sobre a presidência russa do G20, que se inicia em dezembro, a diretora-gerente disse que já se está trabalhando para completar a reforma do sistema de cotas do FMI e concluir a revisão até o fim de janeiro de 2013.

No entanto, admitiu que, de todos os países-membros do G20, só EUA e Argentina não ratificaram o aumento das cotas. EFE

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