Fluxo positivo e inflação em alta puxam dólar

O dólar abriu com leve baixa ante o real nesta terça-feira, acompanhando o desempenho quase lateral da moeda norte-americana no exterior. A expectativa no mercado é de que o fluxo cambial poderá se manter positivo, com novas ofertas de exportadores e de bancos, que se beneficiam da recente flexibilização de regras para pagamento antecipado de exportações e para captações externas. Alguns analistas também avaliam que a inflação alta torna interessante, para o BC, que o dólar não se aprecie ante o real.

O dólar à vista começou o dia vendido a R$ 2,0280 no balcão, com baixa de 0,15%. No mercado futuro, às 9h11, o vencimento de dólar para fevereiro de 2013 recuava 0,05%, a R$ 2,0350, após abrir a R$ 2,0355 (-0,02%). Até esse horário, esse contrato futuro oscilou de R$ 2,0335 (-0,12%) a R$ 2,0370 (+0,05%).

Nesta terça-feira, a subida da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) para +0,77% na primeira quadrissemana de janeiro, ante uma alta de 0,66% no período anterior encerrado em 31 de dezembro, pode dar fôlego ao ajuste de baixa da moeda americana ao longo da sessão, disse João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba. "Diante da inflação pressionada, o mercado está caindo naturalmente e testa um novo piso, que seria confortável para o BC", afirmou.

Para Corrêa, esse nível de conforto seria de R$ 2,00 a R$ 2,05. Como na segunda-feira o dólar atingiu, pontualmente, a faixa dos R$ 2,02 e o BC manteve-se fora do mercado de câmbio, fica claro que a moeda já estaria dentro da faixa aparentemente desejada pelo governo. "Mas se o dólar chegar mais perto de R$ 2,00, a expectativa é de que o BC poderá fazer um leilão de swap cambial reverso (equivalente á compra de dólar no mercado futuro)", prevê.

Na segunda-feira, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,0310 no balcão, com queda de 0,34%, no menor valor para a moeda desde 31 de outubro de 2012.

No mercado internacional, a cautela predomina em meio à expectativa pela abertura da temporada de balanços nos Estados Unidos e diante da ausência de novidades sobre a situação fiscal norte-americana. A Alcoa inaugura a safra de resultados financeiros hoje, após o fechamento dos negócios.

Antes, os investidores estarão atentos ao discurso do presidente do Federal Reserve de Richmond, Jeffrey Lacker, que ganha relevância após a autoridade monetária indicar, na ata divulgada na semana passada, que seu programa de compra de ativos pode terminar antes do esperado.

Os agentes financeiros também estão na expectativa por um novo pacote de estímulo à economia no Japão. O governo japonês prepara um plano de medidas emergenciais até a próxima sexta-feira, que pode alcançar 10 trilhões de ienes. Segundo a imprensa local, o governo também comprará títulos do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) no gerenciamento das reservas cambiais do País.

Em Nova York, às 9h14, o euro estava em US$ 1,3116, estável em relação ao fim da tarde de segunda-feira. O dólar estava em 87,49 ienes, de 87,80 ienes na véspera. A moeda norte-americana exibia leve alta ante o dólar australiano (+0,14%), mas recuava ante o dólar canadense (-0,04%) e a rupia indiana (-0,34%).

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