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Flordelis canta e aponta tornozeleira eletrônica: 'Isso não prova nada'

João Conrado Kneipp
·3 minutos de leitura
Deputada apontou para a tornozeleira eletrônica enquanto cantava uma música que dizia "isso não prova nada". (Foto: Reprodução/Twitter)
Deputada apontou para a tornozeleira eletrônica enquanto cantava uma música que dizia "isso não prova nada". (Foto: Reprodução/Twitter)

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) apontou e mostrou a tornozeleira eletrônica enquanto cantava “isso não prova nada” e “o sonho não morreu”, durante um culto religioso, realizado neste domingo (11). Em outro momento, ela afirma que Deus permitiu “a tornozeleira”, batendo na perna em que o equipamento de monitoramento está fixado.

A pastora evangélica é acusada de ser mandante do assassinato do próprio marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho do ano passado, com a ajuda dos filhos.

Na sexta-feira (9), ela se apresentou à Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) do Rio de Janeiro para colocar a tornozeleira eletrônica após ser intimada pelo Tribunal de Justiça do estado. Horas depois, fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais citando passagens bíblicas e agradecendo àqueles que a defendem da acusação.

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No vídeo deste domingo, feito enquanto cantava um louvor composto por ela mesmo, Flordelis levantou a barra do vestido, mostrou a tornozeleira eletrônica e pediu para quem filmava para mostrar o equipamento. A gravação aparenta ter sido feita durante um ensaio do culto, com poucos fieis presentes.

“O sonho não morreu. É só uma túnica rasgada. Mostra aqui (apontando para a tornozeleira). Isso não comprova nada. A fera não matou José, isso é história inventada, contada pela boca da amargur que não digeriu os sonhos que nascem de Deus”, canta ela.

INOCÊNCIA DOS FILHOS

Mais tarde, com banda completa no palco e dirigindo-se à plateia, Flordelis faz uma pregação de superação na qual diz que Deus permite “a tornozeleira”. “Mas Deus permite a chuva, o vento, a prova, a dificuldade, a tornozeleira”, diz, batendo na perna.

Na mesma cerimônia, a parlamentar fez outra fala a respeito do caso. Desta vez, defendendo seus filhos, que também são acusados de participação na trama do homicídio. No total, onze pessoas - quase todos membros da família - foram denunciadas e irão a julgamento.

“E não há uma dor maior de uma mãe do que ver filhos na prisão. Saber que um filho seu que não fez absolutamente nada está respirando, deitado no chão, pelos buraquinhos que restou da porta. Em um lugar fechado onde não entra nada. Tendo que comer comida estraga. Só bastava isso para mim (sic) desistir. Qualquer outra pessoa desistiria no meu lugar. Quem é mãe aqui sabe o que eu estou falando”, lamentou ela.

ENTENDA O CASO FLORDELIS

A deputada, de 59 anos, é acusada de ter orquestrado o homicídio do seu marido tendo como cúmplices sete dos seus quase 50 filhos - naturais e adotivos - além de uma neta, que seria justificado por disputas de dinheiro e poder.

O pastor Anderson levou 30 tiros ao chegar em sua casa em Niterói, região metropolitana do Rio.

O Ministério Público atribuiu o crime às tensões geradas pelo "rigoroso controle das finanças familiares" de Anderson, que impedia um "tratamento preferencial" aos mais próximos de Flordelis. Anteriormente, a mulher - que também é cantora gospel - já havia tentado envenenar a comida e a bebida do marido em pelo menos seis ocasiões, segundo a investigação.

Eleita em 2018 pelo Partido Social Democrata (PSD), permanece em liberdade por causa da imunidade parlamentar.

O corregedor da Câmara dos Deputados, deputado Paulo Bengtson (PTB-PA), apresentou ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um parecer recomendando o envio do processo de Flordelis ao Conselho de Ética.

O caso foi analisado pelo corregedor após representação feita no fim de agosto pelo deputado Léo Motta (PSL-MG) contra a deputada, acusada de quebra de decoro parlamentar. A Mesa Diretora da Câmara analisará o relatório e decidirá se envia o caso para o Conselho de Ética da Casa.