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Flip: 'Meu trabalho é a recriação de vozes que se calaram, que não puderam se expressar', diz David Diop

·4 min de leitura

O colonialismo e o seu impacto nos dias de hoje estiveram no centro das mesas deste domingo da 19ª edição da Feira Literária de Parati (Flip), que acontece virtualmente até o dia 5. A primeira mesa foi “Naturalismo e violência”, com a pernambucana Micheliny Verunschk e o franco-senegalês David Diop, autores de dois romances que, segundo mediadora Milena Brito, “rasuram a língua do colonizador de forma poética”: respectivamente “O som do rugido da onça” e “A porta da viagem sem retorno”.

— O português falado no Brasil é uma conjunção de várias línguas faladas aqui e o Nheengatu [língua indígena da família Tupi-Guarani] é a medula desse português — disse Micheline, que em seu livro usa a ficção – e uma escrita muito criativa - para dar voz a crianças indígenas brasileiras que realmente existiram e foram sequestradas e levadas a Europa por exploradores no século 19.

Já David Diop trabalhou com relatos de viajantes para construir um suposto diário das andanças pela África no século 18 que o botânico Michel Adanson teria deixado para que a filha descobrisse.

— É uma viagem que procura duplicar a viagem real de Michel, não ao centro do Senegal mas ao interior de si mesmo. E aí ele consegue interligar a filha à história de uma jovem que ele conheceu lá. Meu trabalho é a recriação de vozes que se calaram, que não puderam se expressar, e que paradoxalmente os opressores fazem ressuscitar. — explicou Diop. — Nós [os escritores de ficção] podemos dar uma carne viva à história. A literatura pode extrair da história o indivíduo, tornando-o suficientemente tocante.

Em seguida, a jornalista Joselia Aguiar mediou a mesa “Folhas e verbos”, com os escritores Véronique Tadjo e Edimilson de Almeida Pereira. A francesa com origem na Costa do Marfim é autora de “Na companhia dos homens”, romance ainda a ser publicado no Brasil, sobre a pandemia do Ebola que atingiu países africanos como Guiné, Libéria e Serra Leoa no início do século 21. Em uma narratuva livre, inspirada pela oralidade africana, ela chega a narrar o enfrentamento entre o vírus da Ebola e uma árvore, um baobá.

— Fiquei chocada com a imagem da África que foi divulgada durante a epidemia e pensei como poderia reescrever essa história mostrando que havia muito mais do que é visto nas telas e nos jornais — disse Véronique. — Era preciso mergulhar na tradição oral e recuperar a beleza e liberdade de uma narrativa em que as árvores falam, que a natureza fala.

Já Edmilson ganhou na semana passada o prêmio São Paulo de literatura com “Front”, romance que tem como narrador um homem-árvore – personagem criado dentro de “uma visão surrealista afro-diaspórica”, que pode ser analisado a partir de várias perspectivas:

— Esse homem planta tem raízes aéreas, ele está sempre de partida, numa viagem que não se fecha. E pode também ser o homem-árvore do baile de periferia, com seu cabelo black, sempre fazendo passos inesperados. Há uma narrativa dentro de outra e assim por diante. O leitor precisa batalhar com a linguagem, não é como no romance burguês, com começo, meio e fim.

Confira a programação da 19ª Flip

Segunda, 29/11

18h

MESA 5: Plantas e cura

Com João Paulo Lima Barreto e Monica Gagliano

Mediação: Mônica Nogueira

20h

MESA 6: Árvores e escrita

Com Paulina Chiziane e Itamar Vieira Jr.

Mediação: Ligia Ferreira

Terça, 30/11

18h

MESA 7: Zé Kleber: Micélios

Com Jorge Ferreira e Merlin Sheldrake

Mediação: Alice Worcman

Terça, 30/11

20h

MESA 8: Tecnobotânicas

Com K Allado-McDowell e Giselle Beiguelman

Mediação: Ronaldo Lemos

Quarta, 1/12

18h

MESA 9: Fios de palavras

Com Leonardo Froés, Júlia de Carvalho Hansen e Cecilia Vicuña

Mediação: Ludmila Lis

20h

MESA 10: Utopia e distopia

Com Margaret Atwood e Antonio Nobre

Mediação: Mirna Queiroz

Quinta, 2/12

18h

MESA 11: Botânicas migrantes

Com Djaimilia Pereira de Almeida e Elif Shafak

Mediação: Anabela Mota Ribeiro

20h

MESA 12: Políticas vegetais

Com Kim Stanley Robinson e Eliane Brum

Mediação: Lucia Sá

Sexta, 3/12

18h

MESA 13: Em definição

20h

MESA 14: Vegetalize

Com Adriana Lisboa e Han Kang

Mediação: Guilherme Henrique

Sábado, 4/12

16h

MESA 15: Transflorestar — Ato 1

Com Iara Rennó

18h

MESA 16: Em busca do jardim

Com Alice Walker e Conceição Evaristo

Mediação: Djamila Ribeiro

20h

MESA 17: Ouvir o verde

Com Alejandro Zambra e Ana Martins Marques

Mediação: Rita Palmeira

Domingo, 5/12

16h

MESA 18: Metamorfoses

Com Emanuele Coccia e Adriana Calcanhotto

Mediação: Cecilia Cavalieri

18h

MESA 19: Cartografias para adiar o fim do mundo

Com Ailton Krenak e Muniz Sodré

Mediação: Vagner Amaro

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