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Flip 2021 discute como a medicina pode se aproximar da noção indígena de cura

·3 min de leitura

UBATUBA, SP (FOLHAPRESS) - Para os debatedores da mesa "Plantas e cura", que abriu o terceiro dia da Flip nesta segunda (29), a inteligência não é exclusividade de cérebros e neurônios humanos. Todos os sistemas vivos podem processar informação, inclusive as plantas.

Esse foi o tema que orientou a discussão entre a pesquisadora australiana Monica Gagliano, que estuda a inteligência das plantas, e o antropólogo João Paulo Lima Barreto, também um dos curadores da Flip deste ano. A mediação foi da também antropóloga Mônica Nogueira, da Universidade de Brasília. A educadora popular e pesquisadora Silvanete Lerman, que também participaria do encontro, teve um contratempo e não pôde comparecer.

Para Barreto, membro do povo tukano, do noroeste da Amazônia, falar das florestas é falar da noção de casa, algo diretamente relacionado à saúde e à qualidade de vida. Graduado em filosofia e doutor em antropologia social pela Universidade Federal do Amazonas, o pesquisador também criou o Centro de Medicina Indígena, que busca integrar os saberes ocidentais com os dos povos tradicionais da região.

Na conversa, ele falou sobre a particularidade da noção de cura dos tukano. "Diferente do farmacêutico, por exemplo, nós não precisamos fazer uma manipulação química das plantas, nós as manipulamos através das palavras. Portanto, a palavra não é algo invisível. Para nós, palavra é bisturi, aquilo que corta, que limpa, que cura. O Centro de Medicina Indígena está inserido dentro dessa lógica", explica.

Pioneira em um campo de pesquisa conhecido como bioacústica das plantas, Gagliano encontrou ecos de suas pesquisas nas falas de Barreto. "Ouvindo o João Paulo me dei conta de que estamos fazendo magia, um encantamento que não deve ser confundido com algo infantil. É algo que pertence a esse mundo, mas que nos recusamos a ver."

Segundo ela, essa magia não precisa ser descoberta, "nós é que temos que abrir os olhos e reconectar o nosso corpo com as experiências".

A pesquisadora falou ainda da noção de plantas como entidades professoras, uma ideia também presente em diversas cosmologias indígenas. Para ela, a vegetação pode, inclusive, se comunicar de forma literal.

Durante uma viagem ao Peru, ela afirma lembrar de ter recebido instruções de uma árvore para realizar pesquisas com ervilhas e não com girassóis, como pensava em fazer —decisão que se mostrou correta quando conseguiu comprovar que as ervilhas conseguiam associar a ventilação à chegada da luz, da mesma forma que o "cão de Pavlov" associava as badaladas do sino à chegada do jantar.

Os debatedores se mostraram cientes do fato de que, em uma sociedade cartesiana, alegações baseadas em experiências subjetivas, e não em evidências científicas, podem ser facilmente desacreditadas. Por isso, propuseram uma nova forma de diálogo.

"Nosso medo é que os outros que não estão no nosso mundo não compreendam o que queremos dizer, por isso precisamos aprender a conversar na diferença, não é na igualdade", aponta Barreto.

"Falamos muito da importância da floresta, da água e muitas vezes fomos incompreendidos, agora a ciência traz essa visão. Para nós, as plantas têm vida própria e nós precisamos entender isso para nos colocarmos na teia de relações como sujeito e não como objeto. Assim, tudo vira sujeito: o barulho da floresta, o balanço das folhas. Tudo isso é linguagem."

Os debatedores reforçaram que para que o diálogo seja feito, antes de tudo, é preciso lembrar que existem outras formas de interpretar o mundo, formas que transcendem a limitação da razão. Ou como lembrou a mediadora Mônica Nogueira, citando o lema da Marcha das Mulheres Indígenas, é preciso "reflorestar a mente para curar a terra".

As 19 mesas da programação, que se estendem por nove dias seguidos até 5 de dezembro, podem ser vistas gratuitamente pelo canal do YouTube da Flip.

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