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Nos passos do pai, Flávio Bolsonaro falta a acareação e vai à TV aliada

Matheus Pichonelli
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Brazilian President Jair Bolsonaro (R) and his son Flavio attend a ceremony marking the 130th anniversary of the Rio de Janeiro Military School (CMRJ), in Rio de Janeiro, Brazil on May 6, 2019. (Photo by Mauro Pimentel / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
O senador Flávio e o pai, Flávio Bolsonaro, durante evento no Rio. Foto: Mauro Pimentel/AFP (via Getty Images)

Jair Bolsonaro fugiu, feito diabo da cruz, dos debates com seu opositor no segundo turno da eleição presidencial de 2018.

Alegava motivos de saúde, minimizados quando a solicitação de entrevistas vinha de emissoras aliadas e desaparecidos de vez quando quando ele desfilou, correu, abraçou e levantou a taça na festa do título brasileiro de seu time, o Palmeiras, pouco depois de ser eleito.

Já no cargo, Bolsonaro recorreu à Advocacia Geral da União para pedir a suspensão de um depoimento no inquérito sobre sua suposta interferência no comando da Polícia Federal.

O presidente queria responder às perguntas por escrito, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello determinou que o depoimento, marcado para ocorrer entre os dias 21 e 23 de setembro, fosse presencial.

O presidente bateu o pé e aguarda agora a aposentadoria do decano do STF para fazer valer a sua vontade e depor, se depor, da maneira como quiser.

Bolsonaro pai fez escola.

Não só na ojeriza ao confronto de ideias, que levou o então deputado Flávio Bolsonaro a desmaiar em um debate da TV quando era candidato a prefeito do Rio em 2016.

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Na segunda-feira 21, estava marcada uma acareação no Ministério Público Federal entre o hoje senador do Republicanos-RJ e seu suplente, o empresário Paulo Marinho, dono da casa onde o clã montou uma espécie de QG da última campanha eleitoral.

Marinho acusa o filho 01 de receber informação antecipada, entre o primeiro e o segundo turno das eleições, sobre uma operação da PF que atingiria, como atingiu, seu ex-assessor e amigo da família, Fabrício Queiroz.

Flávio foi rápido em desmentir a versão do ex-aliado. “Paulo Marinho tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado”, escreveu.

O senador poderia reforçar a suspeição do empresário diante dos procuradores. Poderia também explicar por que Queiroz e sua filha Nathalia, que trabalhava no gabinete do pai, foram exonerados mais ou menos na mesma época em que o alerta da operação teria vazado. Ele preferiu se ausentar.

Por que prestar esclarecimento às autoridades, afinal, se ele pode participar de um programa de TV de um apresentador aliado? Foi exatamente o que ele fez ao postar uma foto com o amigão Sikêra Júnior no momento da acareação furada.

No mesmo dia, o senador viu seu antigo professor em um curso de Direito, indicado pelo pai ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, pedir vista de um processo que já contava com maioria dos votos para tornar inelegível o amigo e prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), que tem seu apoio na disputa pela reeleição.

Quem tem amigo pode muita coisa. Quem tem pai pode quase tudo.

Em outra investigação, este sobre quem financiava os atos democráticos que desfilaram em Brasília meses atrás, o filho 02 do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), foi citado como um dos articuladores do desejo entre empresários e a Secretaria de Comunicação do governo de montar uma rádio chapa-branca que dedicaria a sua programação para mostrar o quanto os Bolsonaros são bonitos, limpinhos e cheirosos.

Um escândalo em qualquer época e lugar, mas não aqui.

Caso queiram saber do próprio o que de fato aconteceu, é melhor os policiais consultarem a agenda de entrevistas do deputado antes de marcarem qualquer depoimento.