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Flash incomum de raio-X surge "do nada" em galáxia distante e intriga cientistas

Daniele Cavalcante

Uma equipe de pesquisadores estava observando a distante galáxia NGC 6946, com o observatório espacial NuSTAR, da NASA, em busca de explosões de supernovas. Mas o que eles encontraram foi algo inesperado: flashes bastante incomuns de energia de raios-X.

Enquanto procuravam por sinais que poderiam revelar as explosões de supernovas nos braços da galáxia espiral, a equipe localizou a fonte brilhante de raios-X que “apareceu do nada”. O flash brilhante (que é de um tipo raro conhecido como "fonte de raios-X ultraluminosa", ou ULX, na sigla em inglês) não existia dez dias antes dessa observação. Isso significa que alguma coisa de grandes proporções aconteceu ali, mas ninguém sabe com certeza o que seria.

Em observações posteriores usando o observatório de raios-X Chandra, também da NASA, a fonte já não estava mais lá — desapareceu tão rapidamente quanto havia surgido. O objeto foi nomeado como ULX-4 (o que significa que esta é a quarta ULX encontrada nessa galáxia). Nenhuma luz visível foi detectada com a fonte de raios-X, o que provavelmente exclui a possibilidade de ter sido uma supernova.

Na imagem abaixo, o clarão verde de raio-X se destaca tanto quanto as próprias explosões de supernovas da galáxia, sinalizadas pelas luzes azuis. Em um artigo publicado no The Astrophysical Journal, os cientistas tentam responder a pergunta: o que está acontecendo?

Imagem: NASA / JPL-Caltech

Hannah Earnshaw, principal autora do estudo, disse em um comunicado que "dez dias é um período muito curto para que um objeto tão brilhante apareça". Ela explica que “geralmente, com o NuSTAR, observamos mudanças mais graduais ao longo do tempo”, ou seja, fenômenos que demoram um tanto para se manifestarem em mudanças visíveis. “Nesse caso”, disse, “tivemos a sorte de ver uma fonte mudar extremamente rápido, o que é muito empolgante”.

Afinal, o que aconteceu?

Infelizmente, é improvável que saibamos com certeza o que aconteceu na galáxia NGC 6946, devido à distância de mais de 22 milhões de anos-luz entre a galáxia em questão e a Terra. Mas há uma explicação que é plausível o suficiente para dar rumo às investigações de fenômenos como este: de acordo com os pesquisadores, o feixe luminoso pode ter sido produzido por um buraco negro que engoliu uma estrela, resultando uma emissão de raios-X breve, mas incrivelmente brilhante.

Se um objeto se aproximar demais de um buraco negro, a gravidade pode despedaçá-lo, o que faria com que os detritos ficassem em uma órbita ao redor do buraco negro. O material que fica na borda interna do disco giratório recém-formado começa a se mover tão rapidamente que se aquece até alcançar milhões de graus e, finalmente, irradia raios-X. A parte estranha dessa história é que a maioria das ULXs geralmente duram bastante tempo, porque são criadas por um objeto denso (como um buraco negro), que se alimenta de uma estrela por um longo período.

Mas isso não descarta a possibilidade de um buraco negro ter causado a ULX-4. Fontes de raios-X ultraluminosas com vida curta são muito mais raras, mas podem ser fruto de um buraco negro destruindo rapidamente uma estrela pequena, por exemplo.

Fonte: Canaltech

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