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Flamengo: por que é tão difícil um time ter a hegemonia na América do Sul?

Bruno Marinho
·3 minuto de leitura

Ao enfileirar num intervalo de dois dias o título da Libertadores e o de campeão brasileiro, o Flamengo pautou a conversa naquele fim de novembro: dizia-se que era o início de uma hegemonia no futebol brasileiro e no continente. Um ano depois, o time perdeu nos pênaltis para o Racing, da Argentina, e se despediu da Libertadores ainda nas oitavas de final.

Não se trata de um fenômeno isolado. O futebol sul-americano vê um rodízio de campeões na sua principal competição de clubes há quase duas décadas. O último a vencer duas vezes seguidas foi o Boca Juniors, em 2000 e 2001.

Exportador de talentos

Três peculiaridades do futebol brasileiro e sul-americano ajudam a explicar a alta rotatividade entre os vencedores. A primeira, diz respeito à dificuldade que os clubes têm para manter uma base vitoriosa. Na lógica do futebol globalizado, os sul-americanos são exportadores de mão-de-obra para o mercado da Europa. O Atlético Nacional (COL), por exemplo, sofreu desmanche após ser campeão em 2016, devido à ação “predatória” não apenas da Europa, mas também de clubes sul-americanos mais ricos. Quando foi defender o título no ano seguinte, havia perdido nove dos 15 jogadores que mais atuaram naquela campanha. Resultado: eliminado ainda na primeira fase.

— Eu acho que o futebol brasileiro tem características muito peculiares em relação às ligas na Europa. É muito difícil manter elencos, trabalhos, ideias. O Santos teve o trabalho excepcional do Sampaoli, mas quando terminou o ano, já não tinha o mesmo técnico. Isso dá um equilíbrio à disputa — afirmou Paulo César Vasconcelos, comentarista do SporTV.

Troca de treinadores

Todo clube sul-americano, mesmo os mais ricos, está em posição de vulnerabilidade em relação à ofensiva dos europeus porque nenhum dinheiro do mundo consegue, de uma hora para outra, desconstruir a ideia de que é no Velho Continente que o jogador precisa estar caso queira o topo.

O mesmo magnetismo europeu afeta treinadores. Jorge Jesus, apesar de todos os esforços do clube carioca, optou por retornar ao Benfica. A interrupção dos ciclos, seja por desejo dos treinadores, que abrem mão facilmente de trabalhos bem sucedidos em busca de mais dinheiro ou prestígio, seja por iniciativa dos dirigentes, suscetíveis às oscilações nos resultados, pesa para a ciranda no topo da América.

Fragilidade financeira

Para completar, existe a fragilidade financeira dos clubes. Muitas vezes, em vez de apostarem em um crescimento sustentado, dirigentes preferem o risco de investimentos acima das possibilidades, que deem resultados a curto prazo. Isso leva a oscilações bruscas no desempenho em campo.

Isso fica mais claro quando se analisa a dificuldade para que um clube estabeleça uma hegemonia no Campeonato Brasileiro. Entre 2000 e 2019, foram nove campeões diferentes. Entre os campeões por aqui, equipes que cresceram e decaíram rapidamente, como o Fluminense, bancado pela Unimed, e o Cruzeiro, que culminou com o rebaixamento para a Série B.

— O futebol brasileiro tem características que fragilizam o futebol de um clube num ano, e não no outro. O Goiás desse ano terminou o Brasileiro passado em 10º lugar. Às vezes tentamos encontrar uma lógica, mas não dá — frisou PC Vasconcelos.

Quem melhor consegue se esquivar desses três fatores na América do Sul pode até não estabelecer uma hegemonia propriamente dita, mas é capaz de formar um núcleo dominante. River Plate e Grêmio são os dois clubes que mais pontuaram na Libertadores nos últimos cinco campeonatos. O que há em comum entre eles: saúde financeira e longos trabalhos de seus treinadores — Marcelo Gallardo treina o River desde 2014 e Renato está à frente dos gaúchos desde 2016. Não por coincidência, ambos estão, mais uma vez, entre os oito melhores este ano.

— Os argentinos ainda sabem jogar a competição melhor do que nós — acredita Newton Drummond, ex-diretor de Internacional, Vasco e Chapecoense, entre outros: — Mas você tem o River e o Grêmio em processos parecidos, de mesmo treinador, mesma maneira de jogar, de estabilidade.