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Flamengo: os perrengues da nação para ver a final da Libertadores em Montevidéu

·3 min de leitura

Ver o Flamengo disputar a final da Libertadores era um sonho distante nas décadas passadas. Agora, o torcedor rubro-negro pode se considerar mal acostumado. Porém, acompanhar a decisão deste ano em Montevidéu tem se transformado em uma missão quase impossível, cheia de percalços e muito dinheiro desembolsado.

O carioca Leonardo de Almeida, de 44 anos, já teve o primeiro empecilho em casa. Casado com a curitibana e torcedora do Athetico-PR Edhea Lazzari, de 48 anos, a viagem para o Uruguai estava vinculada à ida do clube paranaense à final da Sul-Americana. O rubro-negro nunca torceu tanto para outro time quanto no dia 30 do mês passado, quando o Athletico-PR venceu o Peñarol.

— Com nossos times nas finais, começamos a viabilizar a viagem. Inicialmente, seriam 10 dias para pegar as duas decisões. Mas sairia mais de R$ 34 mil, sem contar os ingressos. Se esticássemos a viagem, cairia para 1/4 do valor. Então resolvemos unir o útil ao bem agradável, ver as finais e comemorar 20 anos de casados com uma viagem ao Uruguai com um casal de amigos — conta ele, que pensa em fazer upgrade do plano de sócio-torcedor para ter mais chances de comprar ingresso.

Longe do Rio, Gabriel Heinzen, de 23 anos, espera levar o pai, Dejailson Fernando Heinzen, ao jogo como presente de aniversário. Parte do esquema está pronto, e será longo. Eles compraram uma excursão saindo de Itajaí, em Santa Catarina, até Piriapólis, que dura um dia de viagem. De lá, mais 100km de Montevidéu. A grande questão agora é conseguir o ingresso, pois eles não têm sócio-torcedor e os valores são muito altos:

— Estávamos pensando em gastar R$1.400 no total, e já vimos que vai ser bem mais. Não gosto nem de pensar nessa possibilidade, seria triste demais. Acho que o jeito é ir mesmo assim e tentar uma forma de ver o jogo por lá.

Nem mesmo os torcedores mais confiantes, que compraram passagens ou reservaram hospedagem antes mesmo de o Flamengo confirmar presença na final, tiveram vida tranquila na organização da viagem. E ainda vivem o suspense de conseguir o ingresso ou não.

O economista Carlos Henrique Teles Gonçalves, de 46 anos, por exemplo, reservou um apartamento pelo Airbnb ainda em agosto, num bairro nobre de Montevidéu.

— Quase 2 meses depois, cancelaram minha reserva. O reembolso foi integral . Só que para me hospedar novamente pelo mesmo período, tive que desembolsar R$4 mil, mais que o dobro, e perto de uma comunidade.

O técnico de segurança do trabalho Rafael Luiz Ribeiro, de 35 anos, viveu algo semelhante. Com passagem já comprada para Porto Alegre (de lá vai de carro ou van para o Uruguai com outras pessoas), teve a reserva feita há quatro meses cancelada:

— Depois de cinco tentativas, consegui fechar hospedagem, mas longe do centro, a 20 minutos. Agora é conseguir comprar o ingresso, que está com preço abusivo, mais que caro que jogo da Champions. Sou prioridade 3 e para mudar de plano, a carência é de um ano, não mais seis meses. Eles mudaram a regra após a semifinal.

Em nota, o Airbnb informa que "está apurando o caso relatado pela reportagem, destaca que possui políticas de uso e que qualquer usuário que desrespeite essas regras, sejam hóspedes ou anfitriões, de residências ou hotéis, estão sujeitos às medidas cabíveis, que podem incluir a remoção da plataforma. Além disso, o Airbnb ressalta que oferece suporte a hóspedes e anfitriões 24 horas por dia, 7 dias por semana, por meio da Central de Ajuda, que pode ser acionado para apoio em qualquer fase de uma reserva, desde a busca da acomodação, passando pela estadia até o check-out, ou mesmo para denúncias sobre quebra das regras da plataforma. Sobre fechamento de calendários de reservas ou retirada de anúncios das acomodações, a plataforma informa que a comunicação aos hóspedes deve ser feita diretamente pelo anfitrião, seja de residência ou hotel. Em caso de falha do anfitrião nesse sentido, o Airbnb informa que o reembolso é feito ao hóspede e o anfitrião não recebe qualquer pagamento".


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