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O que acontece com o Flamengo?

Mauro Beting
·2 minuto de leitura

32 minutos do segundo tempo no Fla-Flu: Bruno Henrique deu um tapa pela esquerda e ganhou na corrida de Luccas Claro (e venceria na velocidade qualquer outro zagueiro); quando chegou à frente do tricolor para novo drible, Turbo Henrique (o melhor do continente no espetacular segundo semestre rubro-negro em 2019) tropeçou nas próprias pernas e caiu sozinho.

Um dos retratos do momento inexplicável do Flamengo pós-pandemia. Tão difícil de entender quanto a bola que viajou por horas até o cabeceio de Luccas Claro empatar de cabeça o clássico. Tão incompreensível quanto o recuo de Filipe Luís para o desatento Arão deixar a bola passar para Yago virar o placar e coroar a luta de um Fluminense que só quis atacar na segunda etapa. E bastou para vencer um Flamengo que está praticamente completo, tem todo o tempo do mundo que quase foi rubro-negro há um ano para treinar, e não evolui.

Rogério Ceni tem digitais nesse trabalho que, como o timaço, não engrena.

Mas só ele? Só Dome? A saída outra vez será a saída de mais um treinador no Flamengo e no Brasil?

É só na conta do técnico a bola que não tem entrado de Gabriel Barbosa? O tropeço de Bruno Henrique e outras tropicadas? O futebol de Everton Ribeiro que ficou com a amarelinha vestida no Uruguai? Arrascaeta que tem falado melhor do que tem jogado? Gérson que ainda luta muito, mas também não tem sido o mesmo? Arão que tem falhado mais do que o usual - como Filipe Luís? Rodrigo Caio que não tem mantido o nível?

Tem como discutir mexidas de Rogério. Ideias iniciais de jogo e de time. Jogadas ofensivas que não pululam como em 2019. Sistema defensivo que não pula nas bolas levantadas na área rubro-negra. Hugo Souza e Diego Alves que não mantém a excelente média de milagres na meta. Cartolas metidos em outras metas ou apenas metidos mesmo.

Uma série de coisas.

Mas principalmente dentro de campo o time não tem funcionado como equipe. E todo mundo está jogando muito menos do que é capaz. Não é só questão de ajuste tático. É técnico. Talvez anímico. Mas são muito mais os tantos acertos individuais de 2019 que não se repetem em 2020-21 que deixam o Flamengo estranho como está.

E ainda assim vivo no BR-20. Mesmo com tantos erros ou coisas que dão errado.