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Flamengo e Palmeiras temem briga entre torcedores na final da Libertadores

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Patrick de Paula e Andreas Pereira disputam lance no último confronto entre Palmeiras e Flamengo (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)
Patrick de Paula e Andreas Pereira disputam lance no último confronto entre Palmeiras e Flamengo (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a definição de que a final da Libertadores seria disputada entre Palmeiras e Flamengo, os dois clubes informaram à Conmebol terem uma preocupação em comum: os planos de grupos de torcedores violentos dos dois clubes para brigar em Montevidéu. 

A partida que vale o tricampeonato continental para ambas as equipes será disputada no dia 27 de novembro, no Uruguai. 

As agremiações disseram à confederação sul-americana haver a necessidade de que providências sejam tomadas para evitar episódios de violência. Há o medo de punições em caso de confronto. 

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Existe um histórico de inimizade entre torcedores organizados de Palmeiras e Flamengo. A briga mais recente ocorreu no estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 2016, durante jogo pelo Campeonato Brasileiro, quando 21 palmeirenses, a maioria com uniformes da Mancha Alviverde, foram presos após agredir rivais. 

Na ocasião, três flamenguistas ficaram feridos, um em estado grave, e foram levados a hospitais da capital. 

Ambas as equipes disputam o protagonismo do futebol brasileiro e sul-americano nos últimos anos, o que tem acirrado ainda mais os ânimos dos grupos organizados. 

Nas próximas semanas será realizada uma reunião entre diferentes ministérios do país sede da decisão, a Conmebol e a Associação Uruguaia de Futebol, sob a coordenação de Gonzalo Etcheverry, assessor da presidência local para discutir o tema. 

Em grupos de Whatsapp de torcedores circulam mensagens sobre conflitos no caminho para Montevidéu, tanto no Brasil como no Uruguai. A informação foi publicada pelo blog do jornalista Mauro Cezar, no UOL Esporte. 

No caso do Palmeiras, o clube afirmou à Conmebol que o assunto é comentado abertamente entre associados preocupados com a segurança na viagem para ver a partida. 

Segundo o Ministério do Interior do Uruguai, serão cerca de 4.000 pessoas envolvidas na segurança do evento e ninguém vai se aproximar do estádio sem ingresso, o que é um procedimento padrão em partidas importantes. Serão colocados dois telões na cidade para separar os torcedores que estarão na capital, mas não terão entradas. 

Será o primeiro jogo considerado de alto risco e com público realizado no Uruguai desde o clássico entre Nacional e Peñarol, na final do Campeonato Uruguaio de 2019. O Ministério acredita que a expertise nos confrontos de maior rivalidade no país vai ajudar no controle de flamenguistas e palmeirenses. 

Procurada pela reportagem, a Conmebol não se pronunciou. 

Para tentar evitar episódios de violência, o Ministério do Interior do país vizinho pediu à CBF uma lista de torcedores de Flamengo e Palmeiras que estariam proibidos de entrar em estádios, como publicou o colunista Marcel Rizzo, também do UOL Esporte. 

A Polícia Nacional do Uruguai afirma que será feito um trabalho coordenado com o departamento de imigração na fronteira. 

As medidas que serão adotadas pelo governo uruguaio não contemplam o que pode acontecer com os torcedores organizados que vão de ônibus de São Paulo ou Rio de Janeiro para Montevidéu nem a possibilidade de encontros na estrada. Essa é a preocupação de cartolas ouvidos pela reportagem. 

Consultada pela reportagem, a Polícia Federal Rodoviária do Brasil afirmou apenas que monitora a situação de todas as rodovias em tempo real. O Ministério Público tem recolhido informações e, se necessário, promete repassá-las às autoridades uruguaias. O órgão não tem jurisdição sobre a decisão da Libertadores. 

A inimizade entre as organizadas dos dois times é tão grande que em 2019 o Ministério Público de São Paulo solicitou à CBF que o jogo entre eles pelo Brasileiro acontecesse sem a presença de torcida visitante, como é o padrão nos clássicos entre os grandes de São Paulo. 

Existe também receio do tratamento da polícia uruguaia e até de possíveis confrontos com barras bravas do país vizinho. 

Torcedores que já fizeram o trajeto de ônibus para Montevidéu relatam terem ficado horas detidos nas estradas do país enquanto a polícia revistava os veículos. Ou então de abordagens truculentas nas cidades onde o jogo aconteceria. 

As torcidas de Flamengo e Palmeiras também se envolveram em brigas com as do Peñarol. 

O caso mais recente aconteceu em 2019, quando os uruguaios viajaram ao Rio de Janeiro para o duelo contra os rubro-negros, pela fase de grupos da Libertadores daquele ano. 

Antes da partida, houve briga no calçadão do Leme, na zona sul da cidade. Dois ônibus com torcedores do Peñarol passavam por onde estava um grupo flamenguista que vinha do Espírito Santo para ver o duelo. Na confusão, foram usados pedaços de pau e até cadeiras. 

Um homem de 60 anos, que não era de nenhum dos grupos, acabou ferido, e a Polícia Militar do Rio deteve mais de cem torcedores uruguaios. Eles não puderam assistir ao jogo. Antes, em 2017, a vitória do Palmeiras por 3 a 2 sobre o Peñarol, fora de casa, também pela Libertadores, acabou em briga dentro e fora do gramado. 

Meses antes da partida, Felipe Melo, em sua apresentação no clube alviverde, já havia dito que, se preciso, daria "tapa na cara de uruguaio" para fazer o time vencer. 

Após o apito final daquele duelo, o volante brasileiro desferiu um soco em Matías Mier, durante briga generalizada entre as equipes. A confusão, inclusive, rendeu um pedido de que seja colhido pelas autoridades uruguaias um depoimento do jogador sobre o incidente. Isso ainda não aconteceu e pode ser realizado antes da final, no próximo mês. 

Nas arquibancadas, o cenário se repetiu. Começou com objetos sendo atirados entre os grupos até que os torcedores conseguiram passar pelas grades de proteção que separavam palmeirenses de uruguaios e entraram em confronto direto. 

A confusão se estendeu para o lado de fora do estádio, envolvendo também a polícia uruguaia, que prendeu 30 pessoas naquela noite.

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