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Flamengo e Inter ensinam como ser líder na pandemia

Diogo Dantas
·4 minuto de leitura
Domènec Torrent, técnico do Flamengo
Domènec Torrent, técnico do Flamengo

Empatados no topo da tabela, com 34 pontos, Flamengo e Internacional decidem neste domingo, a partir das 18h15, no Beira-Rio, quem ocupará a liderança isolada do Brasileiro a uma rodada do fim do primeiro turno. Os dois clubes foram os que conseguiram lidar melhor com as dificuldades impostas pela pandemia. E colhem os frutos em campo, mesmo sem o apoio de suas apaixonadas torcidas nos estádios e as receitas esperadas para 2020.

As campanhas até aqui são idênticas — 10 vitórias, quatro empates e três derrotas de cada lado. A diferença é que o Flamengo tem um ataque mais poderoso que o do Inter, com 30 gols contra 28. Enquanto os gaúchos possuem uma defesa mais sólida, com 13 gols sofridos, seis a menos que o Rubro-negro, que não vence em Porto Alegre desde 2015. Em 2020, o Flamengo tem os números de melhor visitante, com 19 pontos ganhos em nove partidas (70%). Do outro lado, o Inter prevalece como segundo melhor mandante, com 20 pontos em oito jogos (83%).

Fora de campo, o projeto de futebol de Flamengo e Inter tem respaldo de suas diretorias. Ambas apostaram em treinadores estrangeiros desde o começo da temporada, e deram tempo ao trabalho do espanhol Domènec Torrent e do argentino Eduardo Coudet, respectivamente. Apesar da paciência, há grande diferença na capacidade de investimento.

Os dois clubes frearam os gastos e o ritmo de utilização de jogadores diante de um novo calendário após a paralisação. A realidade de 2019, em que Flamengo e Inter ocuparam a primeira e a terceira posição em valor de receita, passou. Os cariocas alcançaram R$ 950 milhões, com R$ 337 milhões em venda de atletas, destaque para de Reinier ao Real Madrid por R$ 135 milhões. Enquanto os gaúchos passaram de R$ 440 milhões, com R$ 140 milhões no total em vendas como as de Nico Lopez ao Tigres-MEX.

Em 2020, a expectativa dos dois lados é por um décifit de R$ 100 milhões, no mínimo, por conta da pandemia. O que deixa o Inter em situação delicada mesmo após negociar Bruno Fuchs por R$ 60 milhões ao CSKA-RUS, em agosto. Contratado até o fim de 2021, Coudet precisou se adaptar à nova realidade. E Dome não foi diferente. Embora o Flamengo já tivesse o time montado.

Além da compra de Gabigol, Léo Pereira e Michael em janeiro, o clube trouxe por empréstimo Pedro, Thiago Maia e Pedro Rocha. Depois do surto de Covid-19, ainda surgiram jóias da base, como o goleiro Hugo Souza e o zagueiro Natan. No segundo semestre, só o chileno Isla chegou, sem custos, para repor a saída de Rafinha. Mas o Flamengo não investiu nem perto dos R$ 209 milhões de 2019. Foram “apenas” R$ 62,1 milhões.

Por sua vez, o Inter gastou cerca de R$ 15 milhões para se reforçar, e tem folha salarial de R$ 7,5 milhões, menos de um terço da do Flamengo, que passa de R$ 20 milhões. Sem poder antecipar receitas em ano eleitoral, o Inter teme atrasos salariais. Por isso, formou uma equipe baseada em jovens e atletas vindo por empréstimo.

Antes de trazer o uruguaio Abel Hernandez e Yuri Alberto, jovem ex-Santos, para reposição de Guerrero, que passou por cirurgia no joelho e retorna em 2021, o Colorado contratou Thiago Galhardo e Gabriel Boschillia, este com lesão muscular. Vieram ainda Moisés, Saravia, Musto e Gustagol, atacante também negociado.

Para o jogo deste domingo, Coudet terá que recorrer à base, com a entrada de Heitor na lateral direita, uma vez que Rodinei foi emprestado pelo Flamengo. Zé Gabriel, outro jovem, substituirá Cuesta, suspenso.

No Flamengo, Dome não terá Bruno Henrique, também suspenso, e Rodrigo Caio, Diego e Arrascaeta, lesionados. O time vive uma maré de tranquilidade com o técnico, que conseguiu implementar suas ideias e utilizar não só todo o elenco, como recuperar atletas e dar chance para a base no rodízio.

Aliado à melhora de rendimento dos jogadores está o trabalho de controle de carga feito pelos profissionais do clube, no intuito de evitar lesões. Outro fator é a logística facilitada pelo uso de voos fretados fora do Rio. O Internacional adota a mesma estratégia, apesar das limitações .