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Flamengo e Botafogo recorrem a 'pacto' e chamadas de vídeo para escapar de crises particulares

Marcello Neves
·3 minuto de leitura

Poucos imaginavam que Flamengo e Botafogo se reencontrariam no Campeonato Brasileiro vivendo crises tão simultâneas e particulares. Eliminados de quase todas as competições, Rubro-Negros e Alvinegros se apegam ao único torneio que restou no calendário. O clássico das 17h (de Brasília), no Nilton Santos, marca a busca dos técnicos Rogério Ceni e Eduardo Barroca — que não estará à beira do gramado por testar positivo para Covid-19 — por soluções imediatas. Para isso, pactos e até mesmo chamadas de vídeo foram tentadas.

Mandante na partida, o Botafogo está em penúltimo lugar com 20 pontos e a cinco de deixar a zona de rebaixamento. O Alvinegro também não vence há sete rodadas e demitiu a a comissão técnica do técnico argentino Ramón Díaz para esperar Eduardo Barroca, que será substituído pelos auxiliares Felipe Lucena e Lúcio Flávio.

Mas Barroca não está de braços cruzados em casa. Mesmo no "home-office", ele usa a tecnologia para não ficar longe da rotina de treinos do Botafogo. Se são os auxiliares que comandam os treinos, é o treinador quem monta a planilha e recorre as transmissões ao vivo para dar as instruções.

Por vídeo, Barroca dá preleções, acompanha os treinos e entrega orientações para a comissão técnica já visando o dia seguinte. Os trabalhos são filmados e repassados ao treinador, que os discute com Lucena e Lucio Flávio. O clube ainda estuda uma forma de levá-lo para o Nilton Santos para acompanhar o jogo, mas a tendência é que ele permaneça de sua residência. Como não está suspenso, ele pode se comunicar mesmo à distância.

Já no Flamengo, o Campeonato Brasileiro se tornou obrigação, como bem diz a faixa de protesto da torcida. O Rubro-Negro ocupa a terceira colocação, com 39 pontos e está a cinco do líder São Paulo, que tem as mesmas 22 partidas disputadas. Bom, correto? O problema é a queda para o Racing, nas oitavas de final da Libertadores, que fez o ambiente do clube borbulhar.

Rogério Ceni tem mais eliminações que vitórias a frente do Rubro-Negro, mas o trabalho do treinador não está sob pressão. Pelo contrário, o entendimento é de respaldo. E isso vai da diretoria até os jogadores. Os líderes do elenco, como Diego Alves, Rodrigo Caio, Filipe Luís, Diego e Éverton Ribeiro, se reuniram com Ceni e firmaram um pacto para vencer o Campeonato Brasileiro.

Já a diretoria entende que Ceni precisa de tempo e, mesmo com poucos jogos, já vê uma evolução |tática e física do elenco rubro-negro. Hoje, a percepção é que a equipe está mais próximo no modelo de jogo do que foi a de Jorge Jesus. Também há elogios sobre como o treinador está comandando as atividades.

No Ninho do Urubu, a intenção é de não deixar que o abatimento tome conta do elenco e a reação seja imediata: no clássico diante do Botafogo, o único resultado possível é a vitória para tentar salvar o ano com o título. Diferentemente do que circulou nas redes sociais, não existe reclamação sobre trabalho de Ceni. Na verdade, a intensidade das atividades e a orientações detalhas são pontos elogiados pelos jogadores.