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Flagelos voltam à África com recursos focados em pandemia

Pauline Bax e Antony Sguazzin
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Crianças da República Democrática do Congo não foram vacinadas contra o sarampo neste ano. A poliomielite é novamente vista na Nigéria. Nos Camarões, onde a malária é predominante, um programa estatal agora faz consultas por telefone depois que metade da equipe foi enviada para ajudar pacientes de Covid-19. No sul da África, onde milhões vivem com tuberculose e HIV, centros de tratamento foram convertidos em enfermarias para o Covid-19.

Uma catástrofe de saúde silenciosa se forma na África. Não devido ao coronavírus, mas por doenças antigas que do dia para a noite foram colocadas em segundo plano por causa da pandemia. Como os recursos escassos são desviados para conter casos de Covid-19 e o medo de infecção leva cidadãos a evitarem postos de saúde, as doenças que organizações de saúde tentam há décadas erradicar - como malária, febre amarela, HIV e tuberculose - devem aumentar.

“Estamos profundamente preocupados com o potencial impacto no HIV, tuberculose e malária”, disse Peter Sands, responsável pelo Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, que gasta mais de US$ 4 bilhões por ano em mais de 100 países. “O custo indireto em termos de vidas pode ser maior que o custo direto do Covid.”

A África, com menos de 1% dos recursos financeiros do mundo, possui mais de 22% da carga global de doenças, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mesmo antes da pandemia de coronavírus, cerca de um milhão de pessoas morriam todos os anos no continente apenas de malária e tuberculose.

O continente tem controlado relativamente bem a marcha do coronavírus. A maioria das nações africanas respondeu rapidamente, impondo medidas de isolamento para permitir que seus sistemas de saúde se preparassem para o surto.

O número de mortes registradas na África desde a primeira pessoa com resultado positivo em fevereiro permanece baixo, com pouco mais de 4.228 contra as quase 375 mil mortes globais.

Como no resto do mundo, a pandemia teve enorme impacto econômico na África. Segundo o Banco Mundial, a África Subsaariana deve registrar a primeira recessão em 25 anos devido à paralisação das economias e interrupção do comércio global.

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