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Flávio Dino procura Sarney, costura aliança com ex-rival e pede apoio para academia de letras

·3 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.09.2021 - O governador do Maranhão, Flávio Dino (MDB). (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.09.2021 - O governador do Maranhão, Flávio Dino (MDB). (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - No último dia 4, o ex-presidente José Sarney (MDB) recebeu a visita de um antigo rival político: o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB). Improvável até a eleição do presidente Jair Bolsonaro, a conversa aconteceu no apartamento de Sarney, na península da Ponta D'Areia, em São Luís.

O governador pediu apoio do ex-presidente à sua candidatura à cadeira de número 32 da Academia Maranhense de Letras, vaga ocupada por seu pai, Sálvio Dino, até a morte dele, em agosto de 2020, vítima da Covid.

Dino foi eleito nesta quinta-feira (21), com 25 dos 35 votos. A aliados o governador chegou a afirma que Sarney, que é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), não tinha se comprometido a apoiá-lo. Mas essa narrativa foi interpretada como uma discrição de Dino.

Além dessa eleição para a AML, no encontro, os dois conversaram sobre o cenário político nacional.

A sucessão estadual não entrou em pauta. Mesmo assim, a reunião foi interpretada, no Maranhão, como uma brecha para uma inédita e antes inimaginável aliança entre o PSB, de Dino, e o MDB, de Sarney, na corrida pelo governo do estado de 2022.

Vice-presidente do MDB maranhense, o deputado estadual Roberto Costa afirma que existe, majoritariamente, disposição de diálogo com Dino em busca de uma saída para a crise nacional.

Uma prova está no alinhamento da bancada do MDB na Assembleia Legislativa. Em 2020, o partido deixou o bloco de oposição, declarando-se independente e passando a apoiar o governo.

Adversária de Dino na eleição de 2018 e presidente estadual do MDB, a ex-governadora Roseana Sarney deverá concorrer à Câmara dos Deputados e, segundo Costa, defende "diálogo com todos".

"Sentimento de ambas as partes é de que se possa iniciar o processo de namoro para, quem sabe?, chegarmos ao casamento", diz o vice-presidente estadual do MDB.

Segundo Costa, Dino fez um aceno importante para o MDB ao apoiar a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro deste ano, quando saiu derrotado para Arthur Lira (PP-AL).

Essa é a segunda vez que Dino se reúne com Sarney. O primeiro encontro ocorreu em junho de 2019, quando Dino também visitou os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Essa conversa aconteceu sete meses depois de Dino derrotar Roseana na disputa pelo Governo do Maranhão. Na campanha, Dino afirmava que o ciclo dos Sarney estava esgotado no estado.

Articulado com a ajuda do deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP) e do empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente, o encontro tinha objetivo de estabelecer pontes entre os dois, o que acabou se concretizando durante a pandemia.

Foi durante a pandemia que, em março de 2021, o Governo do Maranhão contratou o grupo de comunicação da família Sarney para o programa de ensino a distância. Os contratos chegam a R$ 7 milhões, dos quais R$ 3 milhões já liberados, segundo o portal da transparência do estado.

Defensor do distanciamento social para combate ao coronavírus, Dino passou a ganhar destaque na programação de rádio e TV do Grupo Mirante, da família de Sarney, em entrevistas que chegaram a ter mais de 25 minutos no telejornal.

Na terça-feira (19), dois dias antes da eleição da AML, mais um gesto de delicadeza: o secretário de Educação, Felipe Camarão (PT), visitou Sarney para informar, pessoalmente, a retomada das atividades da Banda do Bom Menino, escola de música fundada por Sarney —um xodó do ex-presidente.

Pré-candidato ao Governo do Maranhão, Camarão manifestou sua intenção de concorrer com o apoio do governador. Além dele, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) são postulantes.

Dino, que concorrerá ao Senado, tem a árdua tarefa de reeditar a aliança de 16 partidos com que ae reelegeu. "Não temos problema de ter o MDB no nosso palanque", diz Weverton, apresentando-se como o novo na disputa e afirmando contar com o apoio de 81dos 217 prefeitos do Maranhão.

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