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Flávio Bolsonaro chama Renan de vagabundo, que rebate citando a investigação da rachadinha

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA - A sessão da CPI da Covid foi interrompida após uma discussão entre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro, e o relator Renan Calheiros (MDB-AL). Renan havia pedido a prisão do ex-secretário de Comunicação do governo federal Fábio Wajngarten por avaliar que ele mentiu à CPI. Flávio, que não é integrante da comissão, foi até lá e saiu em socorro de Wajngarten.

— Agora claramente há senadores que querem usar isso aqui de palanque. Que a CPI busque colaborar com a vacina no braço do brasileiro, salvar vidas. Não fazer de palanque como senador Renan Calheiros tenta fazer a todo o momento. Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros? Olha a desmoralização, a desmoralização. Estão perdendo a visão do todo, estão perdendo a visão do todo — disse Flávio.

Renan Calheiros disse que aceitava aquilo como elogio e Flávio voltou a chamá-lo de vagabundo.

— Vagabundo é você que roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete — respondeu Renan, em referência à investigação da rachadinha no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual.

— Quer aparecer, rapá. Quer aparecer, rapá. Se foder — disse Flávio.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), reclamou da postura de Flávio:

— As agressões entre senadores não vão levar a lugar nenhum. A reunião está suspensa e volta depois da sessão [do plenário do Senado]. Quem quiser vir, vem, que não quiser não vem.

Sobre o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), que disse que não vai corroborar com um eventual pedido de prisão, Flávio teceu elogios antes de atacar Renan, e declarou que ele é "pessoa equilibrada, ponderada, que já entendeu que não pode deixar transformarem a CPI num circo".

A ofensiva de Flávio Bolsonaro aconteceu após o senador Humberto Costa (PT-PE) propor que a comissão enviasse ao Ministério Público a íntegra do depoimento de Fabio Wajngarten para uma investigação.O 01 afirmou em entrevista coletiva após a suspensão da sessão que se a proposta do petista se confirmar, vai pedir que todos os depoimentos à comissão também sejam enviados.

Sobre a indicação de Renan Calheiros de que poderia pedir a prisão do ex-secretário da Secom, Flávio justificou as agressões dizendo que "ninguém tem sangue de barata".

— Ninguém tem sangue de barata para chegar em uma CPI como essa e ouvir um vagabundo como Renan Calheiros dar voz de prisão para um cidadão honesto como Fabio Wajngarten (...) Agora, estão negando o óbvio sobre tudo o que o governo Bolsonaro tem feito para salvar vidas, para comprar vacina, pra investir em transferência de tecnologia — defendeu o filho do presidente.

Em entrevista, Flávio chamou Calheiros novamente de vagabundo e se disse indignado com o uso da CPI para fazer política. Flávio também afirmou que Wajngarten pode ter se equivocado na entrevista à revista "Veja", mas depois disse não ter visto contradições com o que falou nesta quarta-feira à CPI.

— Eles esperava que o Fábio Wajngarten fosse chegar à CPI hoje e fosse explodir o presidente num depoimento bomba. Ele vem aqui, fala a verdade, desagrada a oposição, que quer fazer esse teatro, vitimizando e cometendo abuso de autoridade contra o depoente — disse Flávio.

Sobre o vídeo com o mote "O Brasil não pode parar", produzido pela Secretaria de Comunicação, Flávio disse:

— O governo não divulgou esse vídeo em rádio, TV.

Ele também defendeu que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello deponha na CPI. Pazuello falaria na semana passada, mas alegou ter mantido contato com pessoas com Covid-19 para não ir. Ele chegou a tentar um depoimento remoto, mas a CPI negou e remarcou para o dia 19 de maio.

— Na minha opinião, acho que ele tem que vir, falar tudo que sabe, todo o trabalho dele, porque grande parte da imprensa infelizmente não divulgou, para mostrar como ele foi importante no Ministério da Saúde — disse Flávio.