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Startup quer ‘desengessar’ pacientes com impressora 3D

Prótese da Fix It permite que o paciente tome banho normalmente (Foto: Divulgação)

Por Matheus Mans

É sempre a mesma coisa: a pessoa lesiona algum osso do corpo, vai no ortopedista e coloca o incômodo gesso para imobilizar a área e recuperar a mobilidade. No entanto, essa é uma caminhada difícil. Afinal, o gesso coça, não é flexível e é difícil de higienizar. Vendo isso, Felipe Neves teve a ideia da startup Fix It, que traz um novo modelo de imobilização.

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A empresa, fundada em 2017, apresenta um processo menos agressivo e bem mais higiênico para recuperar ossos fraturados. Para isso, a Fix It substitui o gesso por um tipo de plástico biodegradável produzido em impressoras 3D. Ele é mais flexível, adaptável à vários tipos de corpo e, ainda, possui aberturas para ventilar e facilitar a higiene da área.

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Além disso, a solução é á prova d’água. Ou seja: sem problemas na hora do banho.

“A gente queria uma solução que fosse tão simples de aplicar quanto o gesso, mas que desse mais benefícios ao paciente e ao médico”, explica Neves, cofundador e CEO da startup. “Acabamos encontrando a resposta nesse polímero. Com ele, nós podemos fazer o projeto da tecnologia e, como é um plástico termomoldável, adaptar a cada paciente”.

As soluções da Fix It duram cerca de três anos e ainda podem ser remodeladas, em média, mais quatro vezes após a primeira aplicação — que dura, no máximo, cinco minutos. 

Modelo de negócios

Depois de dois anos produzindo o próprio produto, a Fix It resolveu mudar a abordagem em setembro deste ano. Ao invés de centralizar a produção do “gesso plástico” em casa, a empresa de Felipe Neves começou a trabalhar em sistemas de franquias. Para isso, clínicas pagam um valor à startup, que distribui os arquivos com especificações do produto.

Ou seja: médicos poderão imprimir o imobilizador na clínica, personalizados para cada tipo de paciente. Para isso, hoje, o valor da franquia cobrado pela Fix It é de R$ 16.000,00 — R$ 5.000,00 pela taxa de adesão e mais R$ 11.000,00 pela impressora 3D e pelos insumos.

E assim, a Fix It já está expandindo os negócios. Terá 10 franquias em hospitais e clínicas ao redor do país ainda em 2019. E planeja mais de 70 parceiros até o final do ano que vem. Além disso, a empresa possui um parceiro de peso: está sendo incubado no Albert Einstein.

“Este é um mercado complicado, engessado demais”, diz o empreendedor, fazendo o trocadilho de maneira natural. “Mas hoje estamos vencendo as barreiras culturais. Afinal, com este novo modelo, não temos mais limites. Temos pacientes na Argentina, no Uruguai e até na Venezuela. Queremos liderar a transformação da saúde pela impressão 3D”.