Fitch mantém triplo A da França e perspectiva negativa a longo prazo

Paris, 14 dez (EFE).- A agência de classificação de riscos Fitch anunciou nesta sexta-feira a manutenção do triplo A da dívida francesa e sua perspectiva negativa em longo prazo, e continua sendo a única grande agência a conceder nota máxima ao país.

A entidade indicou em comunicado que a manutenção do triplo A se sustenta pela diversificada economia do país, a estabilidade de suas instituições políticas, civis e sociais e por sua flexibilidade financeira.

O anúncio é feito um dia após a Fitch ter definido como "negativa" sua perspectiva sobre os bancos franceses e de ter afirmado que rebaixaria a nota das instituições Crédit Agricole, Groupe BPCE e Société Générale se chegasse a aplicar uma revisão, também em baixa, da dívida francesa.

Fitch Ratings considerou que com um nível de dívida moderado das famílias e uma taxa de poupança "relativamente alta", a França está menos exposta a desinvestimentos como de países como Grã-Bretanha e apontou que também não está "especialmente exposta" a um choque financeiro externo.

A agência critica no entanto a rigidez do mercado de trabalho francês, mas estima que o risco financeiro do país seja "muito pequeno", apesar de, como outros membros da eurozona, não "goza de garantias contra o pânico nos mercados".

A agência reconhece que o governo se comprometeu a empreender novas reformas no âmbito trabalhista, e afirma que, embora haja 50% de chances de que acabe tendo a qualificação rebaixada, tratará a questão em 2013.

O hipotético rebaixamento, segundo o comunicado, dependerá do ritmo e da ambição da reforma econômica, das perspectivas de crescimento da França em médio prazo, da possibilidade de o Executivo cumprir suas metas de déficit e de redução da dívida, e dos riscos econômicos e fiscais associados à crise de dívida da eurozona.

Fitch adianta que espera um crescimento de 0,3% na França em 2013 e de 1,1% em 2012, antes de chegar a 1,6% em 2016, o que contrasta com as previsões do governo de registrar uma alta de 0,8% no ano que vem e de 2% em 2014.

"As previsões de crescimento econômico do governo são mais otimistas que as de Fitch, e provavelmente precisarão de novas medidas de consolidação", comenta a agência, para a qual um fracasso da reforma econômica aumentaria o "desafio" de consolidar as contas públicas.

Apesar de dar tempo ao país, a Fitch deixa claro no entanto que "a margem fiscal da França para absorver futuros choques negativos sem minar seu triplo A está quase esgotada, o que ressalta a urgência de enfrentar" as mudanças previstas.

A agência Moody's havia rebaixado a qualificação da nota da dívida em longo prazo até AA1 em novembro passado, dez meses depois que Standard & Poor's tomou uma decisão similar e serviu com isso uma boa razão de pessimismo aos franceses. EFE

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