Mercado abrirá em 7 h 26 min

Fitch mantém rating do Brasil e vê risco em instabilidade do governo Bolsonaro

JÚLIA MOURA
BRASÍLIA, DF, 14.11.2019: BRICS-ENCONTRO-DF - O presidente Jair Bolsonaro (Brasil) na cúpula dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Brasília, nesta quinta. (Foto: Mateus Bonomi/Agif/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A agência de classificação de risco de crédito Fitch manteve o rating BB- do Brasil, dois degraus abaixo do grau de investimento. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (14), a agência alerta para o risco a reformas fiscais e econômicas com o Congresso fragmentado e instabilidade política do governo de Jair Bolsonaro.

"A falta de estabilidade do governo Bolsonaro e falta de uma base confiável no Congresso pode fazer as reformas difíceis e mais demoradas, especialmente aquelas que requerem emendas constitucionais. As eleições municipais de 2020 podem diminuir a janela para reformas. Finalmente, as perspectivas da reforma podem sofrer caso a economia tenha um desempenho abaixo do esperado nos próximos meses", diz o comunicado da Fitch.

A agência americana também aponta a alta e crescente dívida interna, rigidez da estrutura fiscal e fraco crescimento econômico como justificativa a manutenção do rating.

Segundo a Fitch, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve ter um crescimento de 0,8% em 2019 e de 2% em 2020. As previsões estão abaixo das médias de 3% e de 3,2%, para 2019 e 2020 respectivamente, de demais países na faixa de crédito BB. 

A nota BB- foi atribuída ao Brasil em fevereiro de 2018. Em dezembro de 2015, o país perdeu o selo de bom pagador, quando saiu de BBB- para BB+.

O documento ainda aponta como pontos positivos a aprovação da reforma da Previdência, que deve gerar uma economia de R$ 800 bilhões em dez anos, e desinvestimentos na Petrobras e em bancos públicos.

No fim de outubro, o risco-país do Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos foi ao patamar mínimo em mais de seis anos. 

O índice funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias, especialmente as emergentes, e sua queda pode indiciar uma melhora futura no grau de investimento do país.

Nesta quinta, o CDS está em 123 pontos, oito pontos acima da mínima do ano, mas ainda um dos patamares mais baixos dos últimos anos.